Brasil ainda “engatinha” quando o assunto é inventividade

March 1, 2008 by admin  
Filed under Brasil, Tecnologia

Talvez aos olhos do público leigo inventividade e criatividade sejam consideradas palavras sinônimas. No entanto, para muitos pesquisadores um inventor profissional difere de uma pessoa simplesmente criativa, pelo fato de conhecer amplamente o “estado da técnica”. Ao conhecer o que já existe, ele pode direcionar seus esforços para gerar algo realmente novo. No extremo oposto, pessoas criativas comumente acabam “reinventando a roda”.

Henry Suzuki, diretor técnico da Incrementha PD&I, empresa de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica, joint venture dos laboratórios farmacêuticos nacionais Biolab e Eurofarma, analisa que a diferença entre criativos e inventivos é vital na atual “Era do Conhecimento”, em que o capital intelectual é tido como principal ativo no mundo corporativo e carteiras de patentes podem valer mais do que terrenos, equipamentos ou fábricas.

“Para ilustrar a importância da inventividade nos dias de hoje, basta lembrarmos que, ao lado da aplicação industrial, a presença de “novidade” e “atividade inventiva” são fatores determinantes para a concessão de patentes. Uma equipe criativa pode resolver uma série de problemas ou criar produtos interessantes, mas, salvo por sorte ou acaso, as soluções ou produtos criadas não serão inovadoras e, desta forma, não poderão gerar patentes”, destaca Suzuki.

Cenário brasileiro ainda é deficiente
Para o executivo da Incrementha o brasileiro médio é criativo. “Seja por necessidade (também conhecida como “mãe da criatividade”), pela falta de regras ou pelo não cumprimento de regras estabelecidas, é possível visualizar os efeitos da criatividade do brasileiro em cenas cotidianas”, complementa.

Por sua vez, quando o assunto é inventividade, o cenário é bem diferente. Não são poucos os artigos que destacam o fato de empresas e inventores brasileiros depositarem uma pequena fração do número de pedidos de patentes depositados por outros países (ficando atrás de nações como China, Índia, Rússia e Coréia do Sul), embora o volume de publicações científicas esteja entre os 10 maiores no mundo.

Relatório publicado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual, tendo como base o ano de 2006, revela que o número de pedidos de patentes depositadas em todo o planeta conforme o PCT (Patent Cooperation Treaty) cresceu 6,4% em relação ao período anterior. Estados Unidos, Japão, Alemanha, Coréia do Sul e França lideram o ranking mundial de países que depositam novas patentes.

O Brasil sequer aparece entre os 15 primeiros. E mais: considerando somente as nações em desenvolvimento, permanece atrás de China, Índia, Singapura e África do Sul, posicionando-se apenas a frente do México.

“Indo além, o cenário é ainda mais negativo quando a análise é feita com base em patentes comercialmente relevantes, dentro do conceito de invenção estratégica. Por sua vez, uma real mudança só será verificada quando a consciência, os conhecimentos e recursos necessários para a invenção estiverem presentes no cotidiano de uma parcela significativa das pessoas que estão na linha de frente do processo de criação de novos produtos e soluções tecnológicas”, opina Suzuki.

Iniciativas como a estruturação de núcleos de propriedade intelectual e transferência de tecnologia em instituições científicas e tecnológicas e a inclusão de bases de dados e ferramentas de buscas de patentes e mapeamentos de tecnologia no Portal Capes são, na visão do diretor da joint venture, exemplos de ações que se somam para mudar para mudar o cenário de baixa inventividade atualmente verificado no Brasil, quem por sua vez destaca “mais do que iniciativas governamentais ou institucionais, é necessária a mudança de postura daqueles que estão à frente do processo de inovação”.

Incrementha PD&I
Web Site: www.incrementha.com.br

Fonte: Trama Comunicação

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