Exposição - Centro Cultural Banco do Nordeste

May 5, 2008 by admin  
Filed under Brasil, Cultura

Instalação aborda superação de conflitos e paradoxos gerados na construção de encontros com o outro

FORTALEZA, 03.05.2008 - A artista visual Ana Cristina Mendes Façanha expõe a instalação Intro_missão, no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 - 2º andar - Centro - fone: (85) 3464.3108), a partir da próxima terça-feira, 6.

Com curadoria de Herbert Rolim, a exposição será aberta às 19 horas e ficará em cartaz até o próximo dia 5 de junho, com horários de visitação gratuita (de terça-feira a sábado, de 10 às 20h; e aos domingos, de 10 às 18h).

Segundo a artista, esse trabalho vem falar, sobretudo, da construção de possíveis encontros. Movimentos e caminhos que todos nós percorremos trilhando nossa existência. Fala dos limites, das rasuras, das ranhuras, das dores e descobertas consigo e com o outro.

Os limites podem ser individuais, confinados no espaço e nas trilhas do coração. Os limites podem ser também as linhas de fronteira entre os indivíduos, dos desafios que uma existência em parceria supõe. Há uma ética do existir que vai sendo desvendada nesse jogo.

Entram em ação habilidades, trocas, conexões, relações e, acima de tudo, respeito ao espaço do outro. Por fim, impondo rasgos na experiência de viver, Intro_missão tem a ver com o que perfura o nosso dentro, nos colocando em xeque-mate. Um jogo de atenção: relação com o outro, consigo e com o mundo.

Ana Cristina Mendes Façanha é graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), graduanda em Artes Plásticas pelo Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará (CEFET-CE), formada em Design Técnico pelo Instituto de Tecnologia da Moda (Nova Iorque - EUA) e em Arte-Terapia pelo Instituto Aquilae, e foi agraciada com prêmio de menção honrosa na XIII Unifor Plástica.

Conceitos

Intro_missão é um trabalho que fala dos conflitos ou paradoxos gerados no encontro com o outro. Esse outro pode ser uma pessoa, algum objeto ou até mesmo sensibilidades que todo indivíduo vai descobrindo em si, como se formado por vários eus.

Portanto, esse trabalho fala de uma busca, de anseios, de desejos, de fugas, de um embate. No trabalho, este embate está melhor representado pela presença da linha e da agulha, que desvendam fios da existência. Ao mesmo tempo, esses materiais são domados pelas mãos da artista que os manipula na ação do movimento.

Entre o espaço do teto e do chão, os fios saltam da parede e, suportados pelo arame revolto em tecido, dão dimensão para o desenho. Os contornos do desenho aparecem retorcidos pelo arame que se arrasta na horizontal ou pendidos na vertical.

A linha cobre a agulha tomando seu brilho e seu espaço, mas, em contrapartida, a agulha está dando o acabamento da linha, pois ela determina o local onde o movimento do fio vai acabar. Eles (linha, agulha e fio) ficam suspensos no espaço e abrem uma significação no tempo subjetivo de cada pessoa.

Por tudo isso, não se pode pensar em uma individualidade, uma vez que a linha e a agulha só funcionam juntas, conduzidas por mãos artesãs. As mãos buscam o fundo da memória, de modo que cada pessoa possa acessar suas próprias conexões. E a partir daí montar o seu mundo de relações.

Materiais

Intro_missão é resultado da combinação de vários materiais, a saber: arame, linha, agulha, malha de lycra, conectores e parafusos. Primeiramente, o arame é dobrado com a força do braço e retorcido pela leveza dos gestos e movimentos do corpo do artista. Do trabalho com a linha e a agulha, dessa costura, advém um paradoxo: ora vemos o espaço percorrido pela linha, ora acreditamos que ela vai atravessar a pele do espaço e do tempo.

As agulhas da artista são tomadas pela própria linha, como se não pudéssemos prever quem vem abrindo caminho primeiro - se a artistas, se a linha ou a agulha. E nesse jogo é que o brilho da agulha, escondido pela linha que a costura, faz-se presente nas diversas posições manipuladas.

Mas, no desenho próprio da pele, são as linhas que dão suporte às agulhas várias em direção ao chão. As insistências de nossos movimentos, a impermanência de nossos gestos, a precisão do tamanho de cada uma das linhas são movimentos de olhar onde as linhas da vida vão parar ou cruzar.

Nesse vai-e-vem, tanto linha como agulha costuram os afetos que podemos desenhar no espaço-tempo. Pelas mãos mágicas da artesã, vemos preparada a teia da vivência. É tecendo a vida que os fios se dão a existir. É no lugar da costura, do que adentra a lisura do tecido ou suas asperezas.

A linha tênue e preta marca contornos grossos de habitar e saltam a parede, pendurada por fios invisíveis entre visualidade e gestualidade. Os fios caem atraídos por uma força de chão e são parados pelas mãos que arquitetam outras possíveis formas de desenho no espaço vazio.

Estado poético que anuncia

Que se põe em missão de desvendar os desenhos entra no jogo labiríntico que as formas da linha preta propõem. Elas estão em suspense por um grosso cordão, ou caídas e protegidas pela lâmina da agulha.

Se se aproxima, o observador vê sintonia musical dedilhada no conjunto. Se se afasta, passa a desejar uma veste para sua pele desnudada. É que alinhavados seus segredos, procura brilho na costura. E fugindo, vê escorrer seus contornos na parede, fixadas as curvas de seu habitar.

ENTREVISTAS E INFORMAÇÕES ADICIONAIS:

Ana Cristina Mendes Façanha - (85) 8878.3402 / 9118.9290 / 3246.9479 - anacristinamf@gmail.com
Herbert Rolim (curador da exposição) - (85) 8842.0951 / 3472.0951
Jacqueline Medeiros (coordenadora de Artes Visuais do CCBNB) - (85) 3464.3184 / 8851.5548 / jacquerlm@bnb.gov.br
Luciano Sá (assessor de imprensa do Centro Cultural Banco do Nordeste) - (85) 3464.3196 / 8736.9232 - lucianoms@bnb.gov.br

Fonte: Luciano Sá

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