QUEM É O VILÃO?
* Marcelo Schunn Diniz Junqueira
Desde a época do Pró-álcool nunca se falou tanto sobre etanol. Na década de 1970, o combustível foi a salvação da primeira grave crise energética enfrentada pelo Brasil. Aos poucos, o petróleo retomou seu posto e o pobre combustível tupiniquim foi relegado a uma quase nobre insignificância, já que um herói, mesmo que enfraquecido, nunca deixaria de ser um herói.
Naturalmente, tratava-se apenas do primeiro round. As reservas naturais de petróleo já começam a dar sinais de cansaço, o preço do barril se eleva a cada pregão das bolsas, o que eleva ainda mais o preço na bomba para o consumidor, que é quem paga a conta. Todas essas peças já comporiam um cenário mais que perfeito para o surgimento de uma via alternativa, mas não bastou. Com mudanças bruscas na temperatura do planeta e fenômenos naturais que assolam cidades inteiras, o meio ambiente dá sinais de que algo precisa mudar, e rápido.
Como em todas as histórias de bandidos e mocinhos, por diversas vezes o mocinho é interpretado como um oportunista, que lança mão da desgraça alheia para agregar valor ao seu poder. Com o etanol não poderia ser diferente. A bola da vez foi a crise dos alimentos e declarações sem qualquer fundamentação técnica publicadas na imprensa mundial tentaram em vão fazer uma relação direta entre a produção de biocombustíveis e o aumento do preço dos alimentos.
Há inúmeros fatos que refutam completamente tais afirmações. Em primeiro lugar, há uma crescente demanda no consumo de alimentos, impulsionada por países como China e Índia, concomitante a um aumento da população mundial e a uma elevação de renda dos países emergentes. Para se ter uma idéia, nos últimos 200 anos a população mundial saltou de 957 milhões para 6,7 bilhões de pessoas. E a projeção é de que em 2050 o mundo tenha nada menos que 9 bilhões de habitantes. Com o crescimento populacional aumenta também o desafio de se produzir mais para alimentar tanta gente. Em 2001, por exemplo, a China consumia por ano 450 milhões de toneladas de cereais. No ano passado, esse número saltou para 513 milhões de toneladas.
Outro ponto que sem dúvida interfere nos custos dos alimentos é o preço do petróleo que, segundo analistas do setor, deve chegar em breve à casa dos 200 dólares o barril. A explicação é simples. O petróleo é utilizado como matéria-prima para grande parte dos combustíveis utilizados no maquinário agrícola, no transporte de alimentos e na produção de fertilizantes. Talvez nem precisassem ser citadas as diversas barreiras tarifárias impostas aos mais variados insumos alimentícios em todas as partes do mundo. Ou seja, os custos para produção de alimentos tiveram uma grande elevação.
Entre tantas provas de que o etanol não é o vilão desta história, ouvi o mais interessante argumento dito por um produtor de biodiesel em um evento do qual participei em Nova Iorque. “Na Somália, por exemplo, um dos graves problemas é a falta de arroz. Até onde sabemos, hoje não há nenhum biocombustível sendo feito a partir do arroz, nem tampouco os biocombustíveis deslocam áreas de plantio de arroz”.
Tantos argumentos só justificam o que o mundo inteiro já viu. Hoje são consumidos em torno de 1 trilhão de litros de gasolina/ano. Caso fossem adicionados ao combustível 25% de etanol, seria criado um mercado de 250 bilhões de litros de etanol/ano. Para se ter uma idéia, hoje a produção brasileira representa menos de 25 bilhões de litros/ano. Contudo, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), 25% de toda a frota de veículos no mundo poderão ser movidos a etanol até 2050.
Naturalmente, utilizar o argumento que incrimina o etanol de milho e o combustível da cana funcionaria como um belo susto àqueles que pensavam em investir maciçamente nesse setor. Mas essa argumentação durou pouco e não funcionou. Ao contrário, os investimentos externos nesse setor nunca foram tão intensos. De acordo com um estudo divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), os investimentos externos diretos nas atividades agrícolas cresceram mais que em outros setores da economia, como indústria e serviços. Nos últimos sete anos houve um aumento de 500%, de 2,3% para 13,8% do total de investimentos.
A vantagem do Brasil está latente, para quem tiver interesse em ver. O potencial do país pode conduzi-lo ao papel de um dos mais importantes players desse mercado, afinal, projeções indicam que o país deve liderar o mercado As condições são ideais em todos os sentidos. Maior fronteira agrícola do mundo, com terras férteis e vasta área para o cultivo, clima e relevo adequados, know-how que vem evoluindo desde o Brasil colonial e um forte aporte de investimentos externos.
O setor sucroalcooleiro no Brasil vem se preparando para um novo patamar de crescimento, com uma maior profissionalização na gestão das usinas, diversificação de investimentos como a co-geração de energia elétrica a partir do bagaço da cana-de-açúcar, busca constante por inovações tecnológicas no canavial, movimento de fusões e aquisições, abertura de capital, processo de Governança Corporativa, entre outras práticas que dão credibilidade ao mercado. Fica claro, assim, que não se trata apenas de uma questão de evitar a fome mundial, mas de um verdadeiro pânico e contra-ataque diante da ameaça do biocombustível brasileiro. Para quem não acreditava no Brasil, observe os heróis e guerrilheiros angustiados com o canto do Macunaíma.
* Marcelo Schunn Diniz Junqueira é engenheiro agrônomo e CEO da Clean Energy Brazil.
A IDADE E A LIBERDADE
August 7, 2008 by admin
Filed under Brasil, artigos, saúde e bem-estar
Por Cristiane Felipe
Pilar das revoluções que transformaram o mundo a partir do século XVII, a liberdade é um dos bens mais preciosos de que dispomos. O poder de ir, vir, agir e pensar é pressuposto básico para a manifestação da nossa essência. Não é por acaso que em qualquer sociedade, desde os mais remotos tempos, a forma mais usual de punição àqueles que comentem algum delito é a prisão. Mas, e quando a doença ou as perdas naturais do processo de envelhecimento nos priva da liberdade?
Nas implicações naturais decorrentes do processo de envelhecimento estão previstas perdas gradativas de muitas de nossas principais capacidades. E isso é perceptível ainda muito cedo. Uma ginasta olímpica na faixa dos vinte e poucos já não realiza com a mesma destreza e desenvoltura os movimentos que praticava na adolescência. Um jogador de futebol, ao ultrapassar os 35 anos, já se prepara para a aposentadoria. A visão de um sexagenário já não tem a mesma definição dos primeiros anos da juventude.
Consciente do que lhe é efêmero, o homem busca incansavelmente meios de prolongar a sua vida útil. Já sabemos que os progressos alcançados no campo da Medicina - em especial na área da Geriatria e Gerontologia - permitem a prevenção e a detecção precoce de inúmeras moléstias típicas da idade avançada. Novas terapias, técnicas cirúrgicas e medicamentos com maior precisão de cura também contribuem para esse avanço.
No entanto, mais do que o tratamento adequado, o que pressupõe o envelhecimento saudável é a manutenção das independências física, social e econômica. São esses os pré-requisitos que possibilitarão a preservação da liberdade do indivíduo na idade avançada. E, assim como faz o tempo, a maneira mais sábia para se adquirir ou preservar a autonomia é por meio da prática sistemática, dia após dia. Atividade física faz bem em qualquer fase da vida, alimentação adequada também. A prática da meditação e o cuidado com a espiritualidade (independentemente de religião) não possuem contra-indicações. No nível profissional, o caminho é encontrar o equilíbrio entre a satisfação pessoal e financeira. E se a esse conjunto de práticas somar-se uma pitada de alegria, está dada a receita.
Mas todos sabemos que esta receita não tem nada de simples. A vida não tem regras claras. O convívio com as perdas pode levar à depressão e ao desânimo. As novas situações geram ansiedade, perda da auto-estima e uma série de outros complicadores. Nesses momentos, a saída é não se isolar, não se esquecer de que inúmeras pessoas estão vivenciando a mesma situação. Um caminho possível é partir ao encontro delas. Um bate-papo em grupo pode resgatar a confiança perdida. Um baile no fim-de-semana pode mudar a vida de alguém. Porque a vida pode ser reinventada a cada minuto. É só dar asas à liberdade (e, de preferência, compatibilizá-la com a alegria). Como ensina Montaigne, “a verdadeira liberdade é poder tudo sobre si”. E como canta Gilberto Gil (um sessentão pra lá de jovem), “a alegria é a prova dos nove”.
* Cristiane Felipe, psicóloga com especialização em Gerontologia pela Unifesp, é coordenadora do Age - Vida Ativa na Maturidade
Artigo Via MaxPress
VELHOS PROBLEMAS E A CORAGEM SEMPRE
Por Fabio Arruda Mortara*
Os empresários brasileiros sempre demonstram imensa capacidade de superação, inclusive ante os graves problemas que continuam conspirando contra a saúde das empresas e desafiando a competência, resistência e criatividade de seus gestores. Dentre as agruras que atormentam nossos setores produtivos, as mais graves, sem dúvida, são: o desequilíbrio entre a carga tributária e o retorno que o Estado dá à sociedade em serviços; e a insegurança jurídica.
No primeiro caso, é triste constatar que pagamos impostos noruegueses e temos serviços estatais da África Subsaariana. A arrecadação tributária já chega a quase 38% do PIB e continuamos nos constrangendo por oferecer assistência médico-hospitalar de submundo aos mais de 140 milhões de brasileiros que dependem da saúde pública (e querem criar a CSS…); seguimos estupefatos ante a incapacidade de garantir às crianças e jovens de famílias de menor renda o direito inalienável ao ensino gratuito de qualidade, único caminho para a democratização das oportunidades e efetivo desenvolvimento. Ah, sim, também sofremos para exercitar o direito de ir e vir, que nos outorga a Constituição, mas nos nega a deficiente segurança pública.
No caso da insegurança jurídica, enfrentamos, por exemplo, a fragilidade política das agências reguladoras, cuja independência não tem sido suficiente para equilibrar com justiça a relação entre fornecedores e compradores. Desconfianças quanto ao caráter probo do Estado no cumprimento de acordos mantêm no papel as Parcerias Público-Privadas (PPPs), que deveriam ser a redenção do gargalo da infra-estrutura. Como se não bastasse, não há quem garanta a concorrência ética, justa e legal em vários setores de atividades.
Além do direito e do dever inerentes à cidadania, de discutir os problemas nacionais, os empresários gráficos - no tocante à questão tributária e à insegurança jurídica - têm a mais legítima prerrogativa de protestar, denunciar e reivindicar soluções. Afinal, são frontalmente atingidos pelas conseqüências desses dois males nacionais. A bitributação de alguns de seus produtos é um dos exemplos dos problemas que enfrentam no tocante a impostos; a concorrência desleal, impunemente exercida por gráficas religiosas, de partidos políticos, de sindicatos e até de governos estaduais, é outro sério obstáculo.
O mais grave é que tais problemas não são recentes. Arrastam-se por décadas, sem que as autoridades competentes mostrem-se dispostas a corrigi-los. Apesar disso, como bons empresários brasileiros, os gráficos têm avançado no fortalecimento e progresso de sua indústria, uma das que mais encamparam avanços tecnológicos no País nas duas últimas décadas.
No entanto, o sucesso garantido pela capacidade de superação e renitência das empresas não pode ser o único parâmetro do desenvolvimento de nação alguma. Assim, devemos manter firme e democrática mobilização na defesa das questões jurídicas, tributárias e mercadológicas que nos afetam, do mesmo modo que permanecemos engajados nas grandes causas nacionais. Trabalhar sempre e jamais desistir de um Brasil mais justo e ético é uma responsabilidade dos setores produtivos da qual os gráficos, como já demonstraram nos 200 anos de sua atuação no País, jamais abdicarão. Afinal, coragem é a única virtude que não pode faltar aos empreendedores.
*Fabio Arruda Mortara, M.A., MSc., empresário, é presidente da Regional São Paulo da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf).
Fonte: Ricardo Viveiros Oficina da Comunicação Via MaxPress
SEU CORPO CHEGOU AO CHÃO, SUA ALMA SUBIU AO CÉU
August 6, 2008 by admin
Filed under Brasil, artigos, saúde e bem-estar
Por Sylvia Romano
Ele era mais um menino alegre e bonito, desses que sempre vejo perto da minha casa. Ele era apenas mais um dos inúmeros garotos que, na ânsia de viver, tomam um caminho sem volta. Era simplesmente um jovem que se recusou a crescer e resolveu que iria ser sempre uma criança. O mundo o assustou e ele se refugiou no esconderijo de algumas pequenas doses que trancaram a sua razão e lhe deram a fantasia de que tudo iria ficar bem, num lugar onde ele seria o rei. Acho que foi feliz, por breves momentos, às custas da imensa tristeza da família, dos seus amigos e de todos aqueles que o amavam. Seu mundo se tornou cheio de luzes, cores, medos e tremores. As horas, os dias e o tempo não existiam mais. O vazio foi ficando cada vez maior; a solidão, o frio, e o nada eram suas companhias constantes. E tal qual Ismália, “suas asas de anjo rufaram de par em par, seu corpo desceu ao chão, sua alma subiu ao céu”.
Mas sua vida não foi em vão, pois serviu de exemplo para muitos amigos, tão próximos de embarcarem na mesma viagem na qual ele experimentou e ficou. Serviu, também, de inferno para seus pais aqui na terra, o que já lhes garantiu o céu, bem como, deu esperança e vida a um grande número de enfermos com os quais repartiu seu corpo.
Eu não o conheci, provavelmente um dia devemos ter nos visto, pois éramos do mesmo bairro e ele até poderia ter sido meu filho. Soube da sua história, sofri e rezei por sua alma. Não poderia deixar de escrever sobre este fato, que serviu de inspiração para redigir estas palavras e que, espero, façam quem as estiver lendo refletir sobre o grande problema das drogas que vem ceifando uma juventude tão promissora, acarretando tantas desgraças e infelicidades e causando grandes prejuízos à nação. Os principais culpados por essa situação são o Estado e a Justiça, uma vez que deveriam coibir e punir com mais eficiência a grande máquina dos cartéis de drogas que parecem estar se fortalecendo dia a dia, corrompendo toda uma mocidade.
Campanhas de alerta e um combate sistemático e eficiente ao tráfico há muito já deveriam ter sido implantados. Cartilhas, como se dizia antigamente, deveriam ser criadas para os jovens e seus pais ou responsáveis, incentivando o diálogo de gerações, mostrando as conseqüências de uma curiosidade mórbida, envolvente e perigosa que, com certeza trará desgraça aos seus usuários e familiares e, ao mesmo tempo, altos lucros aos facínoras e criminosos que se dedicam ao tráfico, hoje cada vez mais próximo de todos nós.
* Sylvia Romano é advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo.
Home-page : www.sylviaromano.com.br
LUA NA CASA TRÊS
* Por Henrique Chagas
Tinha dezessete anos quando li o livro proibido de Renato Tapajós. Eram dias perigosos aqueles: qualquer movimento, mesmo em câmara lenta, qualquer fala acima do tom, qualquer estranho rabisco poderia ser considerado ato subversivo ou revolucionário, com poderes capazes de derrubar o regime. Renato Tapajós foi preso porque escreveu um livro com técnica, tempo, ritmos e forma cinematográfica, denunciando o emprego brutal da tortura pelos militares.
Li o livro como se fosse um filme, mas sequer pretendia fosse um roteiro. Fiquei impressionado com a narrativa das cenas em câmara lenta. Inúmeras vezes, até hoje, me pego imaginando todos os movimentos de Lúcia, ao parar no sinal, no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua Bahia. Ah! O romance não se ambienta em Belo Horizonte, apenas minha imaginação insiste em vagar por aquelas ruas.
Ênio Silveira, que recusou a publicar o livro, tinha total razão, o livro mantem uma carga simbólica enorme, não foi por menos que a censura mostrou suas garras, prendeu o autor e os donos da editora. “Câmara lenta” despertou no humilde estudante, que fui, o desejo vulcânico de mudar o mundo, sem armas, apenas com palavras, com letras e rimas, mesmo que tivesse a se submeter às atrozes conseqüências advindas do regime.
Não tinha dezoito anos, já exercia uma militância, uma militância simbólica, mas nada inconseqüente [paguei à época um alto preço]. Simbólica ao ponto de me achar alienado, não curtia um baseado, detestava o cheiro. Enquanto a vida explodia por todas as fendas da cidade, inebriava-me com a poesia de Ana Cristina. Rabiscava então poemas fundados em meras exposições, perdendo-se na profusão das coisas acontecidas, que não tinham aquela beleza poética jubilosa com as frases bem compostas do poema sujo de Ferreira Gullar. Poemas que eu publiquei em edições alternativas, impressas em mimeógrafos, que eram repassados de mão em mão ou vendidos nas esquinas, nos becos ou botecos ao preço da generosidade de quem os comprava.
Queria mudar o mundo com uma poesia diferente, com palavras transformadoras, que alterassem o rumo das coisas. Fui conseqüente e engajado [era um jargão da época], mas os meus textos não deram sobrevida ao meu futuro, o mundo mudou com ou sem eles. Com o afrouxamento do regime, eu me enveredei em busca de uma profissão, estudei filosofia, psicologia e advocacia ao tempo que trabalhava para o meu sustento. O trabalho colocou um cabresto na minha imaginação criativa; não por muito tempo, apenas até o dia que descobri que a lua estava na casa três do meu zodíaco.
Já com quase quarenta anos, um astrólogo, em Brasília, fez meu mapa. Com assombro, disse-me, “Senhor, a lua está na casa três”. “E agora? O que isto significa?” Respondeu-me, com aquela cara de mago, meio padre meio Paulo Coelho, “escreva, você é um grande escritor”. “Como assim?” “Escreva e verás”. Descobri naquele dia que também podia ser mago, vidente, profeta ou qualquer coisa.
Nunca acreditei em astrologia, horóscopo ou outra coisa que o valha, mas depois que fiquei sabendo que tenho a lua na casa três, que sou capricorniano com ascendente em Áries, recomecei a escrever, de forma e ritmos diferentes. As cicatrizes daquele tempo continuam expostas, e sequer espero ser indenizado. Entretanto, hoje tenho liberdade para pensar, escrever e ser o que bem entender. E meus leitores, por certo, não esperam mais aquela mesma metáfora. Talvez, a lua sequer esteja agora na casa três, até Plutão deixou de ser um planeta!
No entanto, a indignação continua a mesma; e preservo para todo o sempre, na memória, em câmara lenta, todos os movimentos de Lúcia, que, na esquina da Avenida Afonso Pena com Rua Bahia, não se entregou covardemente aos seus algozes.
* Henrique Chagas é escritor, professor, advogado e diretor responsável do sítio cultural VERDES TRIGOS. Nascido em Cruzália/SP em 11/01/1960 e radicado em Presidente Prudente/SP, onde exerce a advocacia e participa de inúmeros eventos literários, especialmente no sentido de divulgar a nossa cultura brasileira.
Leia também, A leitura me dá sorte, por Henrique Chagas
MOMENTOS DE INDECISÃO
* Por Sylvia Romano
Tudo na vida são escolhas. A única coisa que não podemos escolher é nascer. Depois que nascemos tudo passa a ser uma decisão nossa, consciente ou inconsciente. Mesmo enquanto bebê, podemos chorar ou não, mamar ou não, rir ou não. Na primeira infância, podemos fazer “birra” ou não, e por aí afora.
Já na adolescência, podemos optar por estudar, amar, começar a fumar, ou por qualquer outra coisa e a decisão será só nossa, e sempre teremos de arcar com o resultado da escolha, seja ela certa ou errada. “Ser ou não ser”, já dizia um bardo inglês. Este é um dos grandes enigmas da vida. Qualquer escolha, por mais insignificante que pareça ser, vai influenciar o nosso futuro, nos dará uma nova vida, quando não, até nos levar à morte. Opções das mais simples, como ir ou não ir, uma roupa, um caminho diferente, um sorriso, ou seja lá o que for, imperceptivelmente poderá compromissar tudo o que está por vir. Quanto mais velhos ficamos, mesmo contando com toda a sabedoria acumulada, as decisões continuam a nos atormentar. Quanto mais vivemos, sabemos que as escolhas podem ser múltiplas e a decisão do que parece ser o melhor fica cada vez mais complicada. “Ah se os velhos pudessem e os jovens soubessem…” é pura balela, “o que sei é que nada sei” sempre aparece na hora do vamos ver. Princípios e ética são imutáveis, mas infelizmente estes valores variam de pessoa para pessoa, existindo uma medida e oportunidade de escolha para cada um, ou seja, voltamos ao “ser ou não ser”, ou melhor, ao por aqui ou por ali.
Neste momento a minha opção é falar, ou melhor, escrever. Mas sobre o quê? Já critiquei nossos governantes, autoridades, burocratas, a violência, a falta de ética, nossas leis, a burocracia, o roubo, o fumo, a política indigenista e vários outros assuntos que me incomodam e me obrigam a escrever - minha única arma usada em defesa daquilo que acredito ser correto. Meu ato de escrever e escrever sempre, sem interesse financeiro, político, ou mesmo, vaidade, é o que hoje me dá prazer, me faz sentir viva e combativa e, não, num mundo de alienados inconscientes que não pensam que se aqui estamos nesta vida é para acrescentar, contestar, modificar e colaborar.
Vamos parar de achar que o momento é para “deixa a vida me levar”. Isto é apenas uma reflexão. Sabemos que optar por isto ou aquilo é sempre um ato difícil, mas as escolhas estão aí e, quer queira ou não, até a decisão de não decidir passa a ser uma difícil escolha.
* Sylvia Romano é advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo.
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O DESTINO DOS GRÁFICOS
Por Mário César de Camargo
Quando o alemão Johannes Gutenberg pela primeira vez imprimiu um livro (a Bíblia) com tipos móveis, por volta de 1455, a Europa tinha cerca de 50 milhões de habitantes, dos quais apenas oito milhões alfabetizados. Não foi casual que, alguns anos depois, quase 20 milhões de pessoas do Velho Continente já soubessem ler. Parece óbvio que a democratização do livro, com sua produção em escala e menor preço, incentivou o hábito da leitura.
A rigor, as artes gráficas transformaram um privilégio em direito, revolucionando costumes, sistemas políticos, relações sociais, leis e o exercício do civismo. Afinal, a democracia é filha da consciência! Portanto, não é sem razão o fato de Gutenberg figurar entre as cem mais importantes personalidades do mundo em todo o segundo milênio, conforme registrou pesquisa mundial realizada ao cabo do ano 2000.
Entender com clareza a profunda transformação histórica, sociológica e política desencadeada pela capacidade de imprimir é fundamental para se dimensionar com precisão o significado da indústria gráfica na civilização globalizada do Século 21. Nosso setor de atividades tem a mesma imensa importância para o homem contemporâneo quanto a prensa de Gutenberg para aqueles 50 milhões de Europeus do Século 15. Sim, pois a comunicação gráfica, mais do que qualquer outro meio, continua sendo um referencial da humanidade para a troca e disseminação de conhecimento. Multiplica-se em numerosas mídias, as quais interagem com as pessoas no dia-a-dia, passando-lhes gigantesca quantidade de informações.
O impresso viabiliza a leitura em tudo o que as pessoas podem ver, tocar, usar e sentir, ou seja, jornais,livros, revistas, cadernos, manuais de produtos e automóveis, embalagens, rótulos, bulas de remédios, cheques, cartões de crédito e débito, o dinheiro, o alto relevo do Braile, cartazes, sinais de trânsito, notas fiscais… tudo isto é mídia difusora de informação! Nenhum outro sistema comunicacional reúne soma tão grandiosa de conteúdo.
Assim, muito mais do que herdeiros de Gutenberg, somos continuadores de sua obra. Sem falsa modéstia, a homenagem que o genial alemão recebeu como uma das cem pessoas mais importantes do milênio, além de justa, cabe a todos nós, gráficos, incluindo os empresários que empreendem no universo dessa arte, os impressores, tipógrafos, arte-finalistas, diagramadores e cortadores e outros profissionais. Temos a mesma estirpe, vocação e missão. Transformar papel em conhecimento, arte e produtos úteis é uma profissão de fé, que fizemos há 553 anos, quando Gutenberg imprimiu o primeiro livro. Talvez haja toda uma simbologia no fato de ter sido ele uma Bíblia…
No Brasil, nossa crença na comunicação gráfica é professada desde 1808, quando D. João VI criou a ImprensaRégia no Rio de Janeiro. São 200 anos de trabalho árduo, nos quais, muito mais do que espectadores, fomos testemunhas, agentes e depositários do conhecimento histórico.
A indústria gráfica tem passado, registra o presente e já vislumbra o futuro. Jamais abdicaremos do destino ao qual Gutenberg nos sentenciou, missão cuja síntese é emblemática e conclusiva: situar o homem no seu tempo e espaço, outorgando-lhe a cidadania com a autoridade legítima da informação!
*Mário César de Camargo, empresário gráfico, administrador de empresas e bacharel em Direito, é vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf).
Fonte: Ricardo Viveiros - Oficina de Comunicação via MaxPress
SER FLUMINENSE É SER DIFERENTE
Torcer pelo Fluminense é trilhar caminhos diferentes. Qual torcedor do Fluminense imaginaria um gol como o de Washington no último minuto contra o São Paulo, ou deste mesmo jogador de falta contra o Boca Júniors, ou o primeiro tempo da decisão contra o LDU e um segundo tempo totalmente diferente, com o time bem posicionado, enfim, um outro time. Ser Fluminense é navegar pelo inesperado ou não se lembram da ida do Flu para a terceira divisão e da volta sem passar pela segunda ou mesmo, do inesperado último lugar no brasileirão.
Por isso é´que o jogo de quarta-feira, dia 02 de julho, é um jogo onde nada é previsível. O Fluminense não está derrotado e não perdeu a Libertadores. A LDU cumpriu o seu papel dentro do seu estádio. O Fluminense tem que cumprir o seu papel dentro do seu e se estiver fadado a ser campeão será, pois, sorte de campeão está tendo.
Reações recentes têm que ser analisadas. A torcida do Flamengo apedrejou o ônibus após ter venerado seus jogadores e dado um diploma a seu técnico antes de enfrentar o América do México é uma torcida com caracterizada por ações populares onde a emoção prevalece sobre a razão. A torcida do Vasco, um clube sob o comando de Eurico Miranda que graças a Deus, para o bem do futebol, está dando adeus, teve reações diversas quando virou freguês para torcida do flamengo em inúmeras decisões. A do Botafogo, especial como é, viu seu treinador e jogadores emocionados com uma derrota por muitos considerada forjada e é considerada a torcida do chororô, em qualquer país de primeiro mundo o choro a emoção dignifica o homem. E a torcida de elite do Fluminense, deve se organizar e sugerir caminhos para que seu time possa vencer e ser campeão da libertadores. Líderes de torcidas que têm acesso às laranjeiras devem demonstrar que o treino, o estudo com relação às jogadas do LDU, o respeito àquele que também é azarão nesta final, a posição da defesa, meio-campo e ataque, tem que ser exaustivamente estudados, treinados, para esta final. Esta é a postura que uma torcida de um clube de elite deve ter e se derrotada na final, deve cantar e vangloriar o brilhante retorno de seu time a um torneio internacional, se vitoriosa, deve comemorar sem achincalhar seus rivais, comemorar com classe, escol.
O estilo Renato Gaúcho no futebol já é conhecido. Provoca em outros torcedores ojeriza e discordância. Ele foi um sucesso absoluto como jogador, mas, como técnico ganhou a Copa do Brasil, perdeu o Campeonato Carioca e está na final da Libertadores, isso enquanto técnico do Fluminense. Luxemburgo como jogador sempre foi mediano e como técnico sensacional. Esta semana Renato Gaúcho tem que provar que é técnico, tem que montar um esquema para vencer a próxima partida estudando a LDU pois, jogadores titulares e reservas tem. Tem que saber substituir durante o jogo. Tem que ensaiar jogadas e esquematizar melhor o seu time, não contando apenas com o fator sorte mas, com o fator estratégia, treino e competência aliado ao fator sorte.
Thiago Silva, comandante da defesa tricolor, tem que exaustivamente ensaiar com seus companheiros os posicionamentos. Conca treinar chutes de fora da área. Enfim, todos têm que trabalhar, trabalhar exaustivamente e focar, mas, focar mesmo o jogo da decisão. A LDU cumpriu muito bem o seu papel e dignificou o futebol equatoriano e o Fluminense tem tudo para reverter essa vantagem. Deveria esquecer um pouco a mídia e partir para o trabalho exaustivo em busca da excelência.
Já as torcidas tricolores de todo o Brasil são vitoriosas. Chegaram a uma final de Libertadores depois de muitos anos sem participar em torneios internacionais e devem prestigiar o time na decisão formando uma corrente prá frente. O time tem demonstrado ter limites e ser ilimitado. É um time cheio de nuances, onde por vezes o goleiro espalma para frente e leva um gol e salva de forma milagrosa gols. As torcidas tricolores de todo o Brasil só têm motivo para se orgulhar e sempre esperar o tudo, tudo de diferente e especial mas, nada comum, pois ser Fluminense é ser diferente onde o novo surge a cada jogo. E o novo pode vir a ser uma vitória nunca vista na final da libertadores na próxima quarta-feira.
Anand Rao
Jornalista
anandrao@terra.com.br
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E-mail: anandrao@terra.com.br
EMPRESAS CONTRATAM POR COMPETÊNCIAS TÉCNICAS E DEMITEM PELAS COMPORTAMENTAIS
Selecionadores de pessoas se encantam com um currículo recheado de saberes.
Mas será que isso basta?
Marcia Vespa*
Junho de 2008 - Está certo afirmar que currículo vazio não pára em pé. Também é correto dizer que o mundo globalizado acabou com a arrogância de quem buscava as melhores colocações apenas com o currículo embaixo do braço, acreditando na auto-suficiência eterna.
Na era da revolução da informação, nada dá mais status que o conhecimento, no entanto este se torna prontamente obsoleto, fazendo com que o ciclo de aprendizado do ser humano seja contínuo e ininterrupto.
Mas todo esse discurso torna-se uma contradição no meio corporativo. É claramente perceptível o apego exagerado aos conhecimentos técnicos observados por um profissional num processo seletivo, em contrapartida às competências comportamentais. Apesar das facilidades ora existentes de aprimoramento constante, os selecionadores de pessoas se encantam com um currículo recheado de saberes, como se estes se bastassem.
Muitas empresas reclamam de não encontrar no mercado profissionais que dominem suas tecnologias, muitas vezes, tão específicas e únicas, e deixam de usar sua expertise para formar mão-de-obra para a perpetuação do negócio. Esse é o perfil negligenciado das organizações que aprendem.
Então o inevitável acontece: contrata-se pelo técnico, e em curto espaço de tempo, demite-se por comportamentos incompatíveis com o negócio, com a missão, com a visão e com os valores corporativos. Demitir custa caro e esse desperdício pode ser evitado.
Formar tecnicamente profissionais parece não ser uma tarefa complicada. Aliás, quando as pessoas são treinados no técnico, o retorno sobre o investimento é quase imediato. O problema, que pode ser transformado em oportunidade dependendo da mentalidade que a empresa tem diante de suas fragilidades, está na aquisição de novos comportamentos. Estes estão fortemente ligados a atitudes e aos valores pessoais, ambos não vistos a olhos nus. Pena que as mudanças ainda ocorram a duras penas de forma a impedir que a empresa alce vôo em condições de obter mais sucesso antes do declive.
Quer caminhar com mais naturalidade, com menos estresse (ou no mínimo um estresse mais saudável) e maior proatividade? Contrate por valores! Defenda os valores essenciais da sua organização selecionando e retendo os seus melhores talentos.
Tenho observado o grau de humanização descrita na missão e visão das empresas no mercado nacional. Quando analiso, mesmo que superficialmente, se o discurso é congruente com a prática, me deparo com um distanciamento enorme entre o que os dirigentes dizem acreditar e o que claramente as suas ações comunicam. Valores não são apenas palavras. Valores devem orientar o comportamento da sua equipe; valores dão sentido e canalizam esforços para que as vitórias sejam coletivas. Pessoas que se orgulham do local onde trabalham percebem uma nítida convergência entre seus valores pessoais e os valores organizacionais.
Se você ainda enxerga a existência de uma lacuna entre o obtido e o desejado, e percebe na sua equipe uma ausência de proatividade, de iniciativa, de visão para antecipar-se aos problemas, de comprometimento, está na hora de rever os valores da sua corporação, clarificando-os e transformando-os em comportamentos observáveis e claro, incorruptíveis. Destile e transmita seus valores organizacionais a começar pela sua liderança. Brade-os entusiasticamente a cada reunião, a cada encontro, no dia-a-dia. Reconheça, comemore publicamente e recompense pessoas que apresentam as atitudes que enalteçam seus valores essenciais.
Provoque conexões entre as suas estratégias empresariais e a gestão de suas pessoas. Transmita confiança garantindo que o seu discurso está em perfeita comunhão com a prática. Eduque as suas pessoas! Educar é um processo que lhe traz resultados garantidos. Treine o técnico. Eduque comportamentos! É a melhor forma de disseminar ao mercado sua marca, seu legado!
Como você quer ser visto e lembrado amanhã? Que tal começar pensar desde já? Garanto que as competências técnicas da sua empresa serão insuficientes para mantê-lo vivo.
*Marcia Vespa é psicóloga com extensão em psicodrama, pós-graduada em marketing de negócios e MBA em gestão de pessoas pela Escola de Administração de Empresas da FGV e diretora da Leme Consultoria (www.lemeconsultoria.com.br)
CAI A MOBILIDADE E DESPENCA A ECONOMIA
June 20, 2008 by admin
Filed under Transporte, Turismo, artigos
* Por Jorge Miguel dos Santos
O Brasil vive o melhor momento de sua economia. Como diria o presidente Lula, é o “milagre econômico”. O salário mínimo aumentou em 2008, embora que minimamente, mas aconteceu. Ainda em 2007, no Estado de São Paulo foram criados 611.539 mil postos de trabalho, o que equivale a 38% de todos os postos criados no Brasil. E para melhorar, o superávit primário de 2007 foi o maior de nossa história.
Todo esse aquecimento da economia é visto a olhos nus na cidade de São Paulo com o aumento do número de trabalhadores e o transporte público insuficiente nos horários de pico. Há mais pessoas circulando nas ruas, para ir e vir do trabalho, às compras, à escola, ou ainda movimentação de turistas para conhecer a cidade e buscar o que ela tem de melhor a oferecer. É aquele movimento que faz com que toda a economia gire.
E para a euforia do setor automobilístico as pessoas estão com poder aquisitivo para comprar carros. É comum ver uma família com mais de um veículo na garagem e todos saem, ao mesmo tempo, para passear, ir ao supermercado, ao trabalho e à escola, mas cada um em seu respectivo veículo, é claro!
Agora, o cenário seria ainda mais encantador, se tivéssemos também uma malha viária - ruas, avenidas, rodovias - que comportasse esses seis milhões de veículos que tentam trafegar por São Paulo. Considerada uma das maiores do mundo, a Capital paulista não detém uma estrutura viária necessária para suportar tantos veículos de passeio, de cargas e transporte de passageiros. O que causa congestionamentos abusivos, com recorde de 266 km em vésperas de feriados.
Se a cidade antes era conhecida como a “terra da garoa”, passou a ser reconhecida como a cidade do trânsito monstro, do caos no tráfego. É certo: todos concordam, vivemos uma crise da mobilidade - a cidade deixou de proporcionar o direito de ir e vir de seus cidadãos, ou melhor, ele o tem desde que ande a pé.
Todos os meios enfrentam dificuldades: o transporte público não consegue suprir a demanda e oferecer um serviço de qualidade aos usuários. O Metrô não cobre todas as áreas da cidade e mesmo transportando cerca de três milhões de passageiros diariamente, não é o suficiente. Com a superlotação dos ônibus e trens as pessoas optam pelo carro particular e acabam parados em congestionamentos. E para piorar não há uma extensão viária, nem fiscalização compatível.
Muitos imaginam que os efeitos dessa crise afetam apenas a mobilidade das pessoas, mas não é bem assim. Existem outras conseqüências, o trânsito afeta também a qualidade de vida, há maiores gastos com a manutenção dos veículos, e os efeitos da crise ainda são repassados para outros setores da economia. Quantos mil reais convertidos em litros de combustível jogados fora, ou ainda melhor, no meio ambiente? Segundo uma pesquisa realizada pelo Citigroup no final de 2007, o trânsito gera uma perda de 5% na produtividade do trabalho todos os anos. E outro estudo, desta vez da Fundação Getulio Vargas, mostra que o prejuízo causado pelos congestionamentos paulistanos é de R$ 33,5 bilhões por ano.
E até quando as pessoas vão suportar sair de casa - fora de casos extremos, como ir ao trabalho, a escola e médicos - por receio de ficar presos em congestionamentos? Será que teremos produtos e serviços disponíveis, a curto e médio prazo, com valores acessíveis, pois se aumenta o tempo ou distância de transporte de uma carga, aumenta também os valores do serviço e, conseqüentemente, sobe o preço final.
Vemos que tudo gira em torno de algo que, por muito tempo, ficou em segundo plano na cidade, como a gestão do trânsito, dos transportes e das vias. E, evidentemente, para que São Paulo acompanhe o bom momento da economia brasileira, devem ser criadas, com urgência, soluções para minimizar a crise em curto prazo. Se de um lado a população é lembrada, a todo instante, para deixar o seu veículo em casa, por outro lado, o poder público deve também oferecer soluções viáveis e um transporte confortável. Só assim a troca será justa.
* Jorge Miguel dos Santos, economista com especialização em custos e formação de preços, consultor em logística no transporte de pessoas e de cargas, é organizador do I Fórum de Debates sobre Trânsito e Transportes, promovido pelo Transfretur - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento para Turismo de São Paulo (www.transfretur.org.br), em 25 de junho, no Novotel Jaraguá.
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