O QUE DARWIN E FREUD DIRIAM SOBRE O AMOR E A PAIXÃO

June 13, 2008 by admin  
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Por Ricardo Teixeira

Com o objetivo de perpetuação da espécie, é bem compreensível que nosso cérebro tenha se desenvolvido para ser recompensado com tempestades neuroquímicas de prazer ao experimentarmos atração sexual por outra pessoa. Hoje em dia já conhecemos muito dos atributos que aumentam as chances das pessoas se atraírem sexualmente e que vão além de fatores culturais. Os atributos estéticos da pessoa são bastante determinantes, mas outros fatores como cheiro, tom de voz, status social e financeiro, senso de humor, inteligência, já foram demonstrados como fatores que influenciam a atração sexual - alguns desses mais relevantes para as mulheres, enquanto outros para os homens. Já sabemos que por trás dessas preferências há uma mãozinha do nosso código genético.

Quanto maior a diferença entre os DNAs de duas pessoas, maior a chance de atração sexual. Do ponto de vista evolutivo isso faz sentido, pois a reprodução tem por princípio básico a mistura de genes, diminuindo assim o risco de doenças geneticamente determinadas. Isso ajuda a explicar porque evitamos gerar filhos dentro da própria família. Evitamos o incesto não só por questões culturais ou religiosas, mas nosso cérebro tem atração sexual por pessoas que estão longe do núcleo familiar, pois essas têm maior chance de possuírem um repertório genético distinto.

Em um famoso estudo, também chamado de experimento da camiseta suada, mulheres cheiravam várias camisetas masculinas suadas e tinham que eleger a que tinha cheiro mais sensual. Elas elegeram o cheiro de homens com DNAs mais diferentes dos delas. Uma evidência de que esse é um comportamento que herdamos de nossos ancestrais é o fato de que ao contrário do que muitos pensam, o incesto é muito raro em grande parte das espécies animais. Freud e Darwin não tinham esse conhecimento em mãos, já que os primeiros estudos sobre o não-incesto em animais apareceram apenas entre 1960 e 1970, incluindo primatas, baleias e até roedores.

Imaginem se Darwin e Freud tivessem o conhecimento que temos hoje sobre nossas respostas cerebrais à atração sexual e à presença da pessoa amada. As regiões cerebrais ativadas em resposta a sentimentos românticos ou à atração sexual são muito parecidas e envolvem o mesmo sistema de recompensa cerebral disparado ao nos deliciarmos com um alimento saboroso. Os principais combustíveis dessas reações são a dopamina, a ocitocina e a vasopressina, sendo que esses dois últimos não participam das reações observadas no amor materno. Além das regiões do cérebro que se “acendem” com as experiências do amor romântico ou atração sexual, sabemos também que outras áreas se “apagam” e essas são regiões vinculadas à função do medo (amígdala) e regiões associadas à nossa crítica, juízo de valores, nosso “superego” (ex: lobo frontal). Isso explica em parte porque o amor é cego e a paixão nem se fala.

E há quem acredite que Caetano Veloso exagerou na letra de “Meu Bem, Meu Mal”. Você é meu caminho, meu vinho, meu vício.

:: Dr. Ricardo Teixeira é PhD em Neurologia pela Unicamp. Atualmente, dirige o Instituto do Cérebro de Brasília (ICB) e dedica-se ao jornalismo científico. É também titular do Blog “ConsCiência no Dia-a-Dia” e consultor do Grupo Athena.

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O VALOR DAS COISAS QUE VEMOS E NÃO PERCEBEMOS

May 13, 2008 by admin  
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*Por Madalena Carvalho

Tenho como missão falar de amor em meus treinamentos, principalmente do amor que devemos devotar a nossa família. Costumo dizer que devemos demonstrar nosso carinho e dedicação sempre e em todos os momentos às pessoas que amamos, pois a vida é frívola demais e passa num piscar de olhos.

São meses que não escrevo e o faço agora após o Dia das Mães, porque pelo mesmo motivo em que minhas mãos e cérebro bloquearam-se para qualquer escrita é este mesmo motivo que agora me impulsiona a escrever.

No passado escrevi “Um jeito único de amar”, falando do amor sublime que é o amor de mãe, e agora vai minha homenagem póstuma àquela que me amou profundamente e a quem amei não somente em palavras, mas em atos cotidianos que foram crescendo à medida que a maturidade me fez enxergar e perceber o valor de gestos e palavras tão comuns.

Gestos e palavras comuns podem ser uma simples ligação e uma frase tão singular: Alô, mãe. E do outro lado da linha aquela voz tão suave lhe responde: Oi filho (a)! Mas só percebemos o valor desta frase tão simples quando estamos diante de um telefone e nos sentimos imobilizados por não tê-la mais por perto.

É simples também quando a faina diária nos faz acelerar o ritmo e saímos correndo e lá vem ela com o olhar terno e diz: E o meu beijo? Vai sair correndo? E aquele beijo é o mais doce de toda a vida, pois nos remete a infância e cujo aconchego nos dava segurança e tranqüilidade.

É simples, muito simples dizer habitualmente “Mãe”. Dizemos de forma tão natural que somos incapazes de perceber o significado existente por detrás de palavra tão singela. Chamamos por ela quando perdemos algo, quando queremos colo, quando necessitamos de conselho… E ela sempre disponível. Porque mães possuem o dom de amar incondicionalmente.

São atos comuns e de tão habituais nos impedem, muitas vezes, de perceber o valor e o significado que há em cada um destes momentos. Sorte de quem percebe isso quando ainda há tempo. Felizmente foi o que aconteceu comigo, em tempo eu tive todas as condições de demonstrar a paixão e amor que eu tinha e tenho pela figura de minha mãe.

Isso não suprime a saudade. Saudade não é um ponto final. Saudade é manter viva a lembrança de alguém que não está presente fisicamente, mas que estará eternamente em nossos corações. E a “boa” saudade será aquela livre de culpas, ressentimentos e arrependimentos, pois é fruto de lembranças baseadas no amor.

*Madalena Carvalho é formada em Administração de Empresas e Pós-graduada em Recursos Humanos, pela Escola Superior de Administração de Negócios (ESAN/FEI-SP). É Consultora Organizacional, com 22 anos de experiência, atuando em projetos de desenvolvimento organizacional e gestão de pessoas, além de palestrante e conferencista, abordando temas ligados à Liderança, Gestão Estratégica, Mudança Organizacional, entre outros. (consultora@madalenacarvalho.com.br)

NÃO ESTOU PRONTA PARA AMAR TANTO

May 11, 2008 by admin  
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*POR DÉBORA CARVALHO

Não estou pronta para amar tanto

Uma reflexão de uma mulher que ainda não é mãe, mas que finalmente compreendeu quão profundo é o amor da própria mãe

Eu ainda não sou mãe. Estou casada há um ano, mas ainda não me sinto preparada para amar tanto alguém. Descobri isso depois que fui tia. Não, não fiquei pra titia. Me casei um ano depois que nasceu minha primeira sobrinha. Ao tomá-la em meus braços, senti meu corpo invadido por um sentimento que me deixou aterrorizada: carinho, muito carinho por aquele pequeno ser; uma vontade de gastar metade do meu salário com presentes e roupinhas fofas; vontade de não devolvê-la aos braços da minha cunhada; vontade de cuidar, de fiscalizar se sua mãe a estava tratando como ela merecia - claro que em sigilo. A idéia de gastar metade do salário ficou só na idéia, pois os débitos automáticos não permitiram.

Foi uma delícia ouvir de todos que ela era “a cara da titia Dé”. As sensações de felicidade, de amor, de carinho e afeto foram tão grandes que me deu medo. Afinal, todo aquele sentimento era pela filha do meu irmão. Já pensou o que eu iria sentir se a filha fosse minha? Já é tão gostoso ouvir aquela voz tão doce dizendo: “Titia Dé! Imagine como deve ser ouvi-la chamar “Mamãe!”
Um ano depois de casada meu esposo começou a se empolgar e pediu para pararmos com os métodos contraceptivos: “Vamos fazer um primo para a Raquel.” Fiquei tomada por uma ansiedade sem tamanho. Parei com o medicamento por algumas semanas, e começamos a planejar como seria o quarto, a alimentação e a educação da criança.
Temos um cachorro salsichinha, chamado Milú. Ele é tão esperto que é ”quase” gente. Mudamos de casa no mês de abril e o Milú danou a fazer xixi no botijão de gás. Meu esposo queria bater nele, dizendo que ele tinha que aprender. Eu não permitia, pois adianta corrigir um cachorro se não for imediatamente - assim como minha sobrinha. Na semana passada, meu esposo acordou de às 3 da madrugada com o barulho da ”torneira do Milú aberta”, levantou num pulo, deu umas chineladas e mostrou o lugar certo de fazer xixi, como eu havia dito que tinha que ser. Faz uma semana que o Milú não faz suas necessidades dentro de casa e voltou a pedir para sair, como fazia antes.
E eu, eu fiquei pensando na delícia que seria educar uma criança de verdade e meus pensamentos se voltaram à minha mãe, e no quanto ela foi corajosa para amar. Ela casou cedo e teve seis filhos. Seis. Cuidou pessoalmente da nossa educação. Entre passar o dia fora e pagar uma creche ou babá para cuidar dos seis filhos, ela mesma se encarregou da tarefa, submetendo-se aos suprimentos básicos que meu pai podia prover, e aventurando-se em vendas a partir de casa para completar o orçamento. Cuidou com carinho da nossa alimentação - o mais natural possível, sem carne e sem açúcar ou refrigerantes. Fazia pão integral e leite de soja pra gente. Contava histórias todos os dias e comprava livros, cadernos e lápis-de-cor, para esquecermos a televisão. Deixava a gente brincar com lama e dizia que sabão foi feito para lavar a sujeira mesmo. Ela nos amou tanto que trabalhou duro para ajudar a pagar nossos estudos e apoiou cada uma das seis profissões que escolhemos, dizendo que é importante a gente trabalhar naquilo que gosta para fazer bem-feito e ser feliz.
Minhas primeiras entrevistas foram com ela, e o resultado das respostas que ela me dava foi a minha alfabetização aos 6 anos, em casa mesmo. Foi quando ela passou a me dar livros para responder o que não sabia. Ficou tão empolgada que e todos os filhos foram alfabetizados antes da escola. E foi assim que ela me ensinou a ser livre e independente. Essa foi a melhor lição que aprendi em toda a minha vida.
Quanto a mim, ainda não estou pronta para amar tanto alguém.
Voltei a me proteger para não engravidar e adiamos para daqui uns dois anos os planos de aumentar a família. Depois de uma longa conversa o maridão concordou e garantiu que vai se dedicar a preparar uma poupança especial para isso e juntos vamos estudar mais sobre educação de filhos. Quem sabe, daqui uns dois anos eu esteja pronta para me aprisionar ao amor mais profundo do mundo.

* Por Débora Carvalho
Jornalista Mtb 51160