APRENDA A COMPRAR SERVIÇOS
* Por Marcelo Lombardo
Nos últimos anos, a principal característica do mercado de Tecnologia da Informação está relacionada à versatilidade e à velocidade de mutação. Seja pelos equipamentos utilizados, às metodologias, ou até mesmo, pelas previsões mercadológicas, a área de TI está mais envolvida com as diretrizes estratégicas das organizações.
Com o novo cenário global e a manutenção das empresas em um patamar vantajoso, exige-se a constante capacidade de aprendizado, de adaptação e da rápida tomada de decisões. Atitudes essas que devem ser analisadas e refletidas dentro de um planejamento estratégico pré-estabelecido para o sucesso do ambiente empresarial.
Dentro desse novo parâmetro, a área de Compras não é mais apenas uma atividade burocrática e repetitiva, o setor passa a assumir um papel verdadeiramente estratégico nos negócios. A gestão das aquisições não é mais vista como uma atividade rotineira e sim como parte do processo de logística das empresas.
A área influencia diretamente na produtividade e no relacionamento com os clientes e está intimamente ligada à competitividade e ao sucesso da organização. Já não basta apenas comprar, é preciso comprar bem, procurando obter o maior número de vantagens competitivas.
É notório que adentramos em uma nova era para o setor de Compras, das diferenciações e qualificações entre as aquisições: daquilo que é físico - produtos e insumos - do que é prestação de serviços - bens não palpáveis; mas altamente necessários para o andamento das atividades internas.
Num primeiro momento, parece-nos complicado partir de uma análise diferenciada da área de compras, dando uma subqualificação de algo que, até bem pouco tempo, era definida de uma forma mais simplificada, mas necessária para dar melhor orientação a uma atividade tão vital e estratégica de qualquer organização.
Na gestão da compra de produtos, o processo passa por análise do que deve ser adquirido, dos valores, da distinção de preços entre fornecedores, da qualidade, do prazo de entrega, das condições de pagamento e recebimento. Já para a contratação de um serviço, devem ser considerados os pontos críticos, sua multiplicidade, a performance desejada e os indicadores de qualidade.
A gestão eficiente de uma área de Compras com foco em serviços exige um sistema que suporte a cadeia de fornecedores, mas o completo ciclo de vida do contrato, e ainda, o seu monitoramento e avaliação.
A comparação é simples, se adquirimos um equipamento para a empresa que irá melhorar o setor de produção e tivemos que contratar um operador de forma terceirizada para operá-lo, como ficará a gestão desses itens? Sabemos que o produto seguirá pelas vias de compras tradicionais - análise do produto, do valor, da distinção de preços entre fornecedores, da qualidade, do prazo de entrega, das condições de pagamento e recebimento.
Já o operador para gerir a nova máquina será visto também como um produto? A resposta é negativa, realizaremos apenas a gestão do serviço da empresa que trouxe esse operador, como da equipe de jardinagem, de um novo projeto ou de outro serviço necessário. As contratações são diferenciadas, cabendo formas de gestão que facilitem e evitem erros, como multas indenizatórias, serviços mal executados e descumprimento de qualquer cláusula contratual.
Em outras palavras, quando compramos materiais, lidamos com bens físicos e tangíveis, e no caso de serviços estamos lidando uma promessa de realização futura.
Em uma área tão vital para as empresas, assumir o risco de operações insatisfatórias, como: retrabalho ou quebras de cláusulas contratuais, serviços incorretos ou em desacordo com as regras pré-determinadas são questões sérias que podem resultar no fracasso de um grande projeto ou da aposta da contratação de um serviço.
A aposta mais correta é num sistema de TI que integre toda a cadeia de prestadores de serviços, que elimine papéis, que seja menos burocrático, que obedeça a ciclos e que seja alinhado com a gestão estratégica da empresa e com a qualidade.
* Marcelo Lombardo, 37, cursou Telecomunicações na Universidade Federal de São Paulo e Engenharia Eletrônica na Universidade Mackenzie. Iniciou sua carreira como projetista de hardware aos 16 anos, tendo desenvolvido periféricos e programas especialistas. Mais tarde, iniciou sua própria empresa, a New Age Software S/A para o desenvolvimento de sistemas de gestão empresarial, e, ao longo dos anos atraiu novos sócios e investidores. Criador do CoreBuilder, atualmente ocupa o cargo de diretor de Tecnologia da New Age Software (www.newage-software.com.br). e-mail: linklombardo@linkportal.com.br
Fonte: Link Comunicação
Via MaxPress
A CRISE E AS PRIORIDADES
Por Edmilson Rosa
Em meio à incerteza gerada pela crise financeira mundial, as empresas brasileiras enfrentam o desafio de planejar seus passos para o próximo ano. O momento é de calcular riscos, estudar quais projetos continuam e o que é prioritário. O mais difícil é como evitar que o temor tome a frente nas decisões e acabe paralisando projetos ou cancelando ações importantes. A prudência, uma qualidade tão importante para a sobrevivência humana, no mundo dos negócios pode trazer algum prejuízo quando empregada sem critério.
Em qualquer situação econômica, tornar-se ou (manter-se) competitivo começa com o controle preciso e sistemático dos processos da organização, com custos ajustados e otimizados, mantendo uma visão precisa das informações que vão servir para a tomada de decisões. Algumas áreas e serviços essenciais não podem ficar de fora nesse planejamento, mas no máximo, ser readequadas. É o caso dos investimentos em tecnologia da informação.
Alguns setores da economia já reconheceram a necessidade de continuar investindo em TI, entendendo que muitos projetos na área estão ligados diretamente ao negócio central das empresas. Ou seja, é melhor continuar a tocar projetos do que pisar no freio de repente e correr o risco de perder o investimento feito ou comprometer a competitividade da empresa num futuro próximo. O raciocínio vale para empresas de todos os portes.
Grandes compradores de tecnologia da informação, como bancos, operadoras de telefonia e construtoras, declararam que pretendem manter seus investimentos na área em 2009. Outros setores esbanjam serenidade. A Federação Nacional das Seguradoras (Fenaseg) declarou que o setor deverá aumentar de R$ 1,2 bilhão para R$ 1,4 bilhão seus investimentos em TI ainda este ano e que serão priorizados investimentos nas áreas de processos e gestão de produtos. A confederação do setor também revelou que, dependendo do porte e perfil das seguradoras, os investimentos em TI, que significam 2% dos prêmios emitidos, podem atingir até 2,5%.
Até mesmo nos Estados Unidos, o epicentro da crise, há focos de otimismo para a área de TI. O instituto de pesquisa Forrester acredita que os problemas na economia não devem afetar diretamente os orçamentos e por uma razão simples: a TI não é apenas uma ferramenta para organização interna, mas um elemento estratégico para os negócios. A dica é enxugar custos e manter projetos que vão terminar no próximo semestre ou que trazem resultado financeiro em até um ano e principalmente aqueles estratégicos, que trazem eficiência e, em longo prazo, custos até menores.
Parte dos especialistas em finanças estima que o pior período da crise deve durar até 18 meses. Se a previsão se confirmar, paralisar programas e investimentos em TI pode representar sério risco ao negócio quando a “normalidade” da economia for retomada. A fatia do bolo destinada a sistemas inteligentes em uma empresa não pode ser negada. E muito menos ser confundida com a cereja do bolo.
*Edmilson Rosa - consultor e diretor da P2HE (www.p2he.com.br).
Fonte: Multiletras / Link
Via MaxPress
O PRIVILÉGIO DOS BANCOS
O PRIVILÉGIO DOS BANCOS
* Por Sylvia Romano
A Câmara dos Deputados acaba de aprovar a medida provisória que autoriza o Banco Central a socorrer instituições financeiras com operações especiais de redescontos e com garantia de empréstimos em moeda estrangeira. Por outro lado, acaba de ser divulgado o lucro de um grande banco que chega a inimaginável quantia de R$ 2,2 bilhões. Já, outro, teve o desplante de anunciar seu ganho líquido de R$ 1,9 bilhão - pasmem - em um único trimestre.
Bem, eu, como advogada, não especializada em finanças, assim como a maioria dos brasileiros, fico abismada com essas notícias. Pergunto-me, como cidadã, porque o governo se preocupa tanto com essas instituições que, como sempre afirmo, só tem o tempo para vender, pois cobra o período que o dinheiro fica à nossa disposição, achacando todos com o que chamam de juros, o que vem a ser simplesmente a mais pura agiotagem oficializada.
Pergunto, como leiga, o que o governo está preparando para aliviar o sufoco dos empresários da indústria, do comércio e do agronegócio, bem como dos prestadores de serviços, dos profissionais liberais e dos pobres dos aposentados do INSS para o enfrentamento da crise. Como ficarão os inadimplentes junto aos organismos que controlam o bom nome dos devedores, como a SERASA? O que acontecerá àqueles que necessitam comprar a prazo e que, porventura, tenham os seus nomes nas listas que controlam os bons e maus pagadores - maus só porque não estão conseguindo cumprir com os compromissos assumidos e hoje são prejudicados pelas “bolhas” de falsas prosperidade criadas pelos economistas de plantão?
Novamente o pobre do brasileiro - com exceção dos banqueiros e da Corte que se locupleta do erário, onde se incluem os funcionários públicos e a casta política reinante - cada vez mais se endivida, perde seu emprego, seus negócios, sua alta estima e, principalmente, a condição de viver com certa dignidade. Esta crise que já se avizinha envolverá todos, mas deverá passar ao largo dos bancos e do poder público, cada vez mais protegidos pelo próprio governo.
E nós, o que podemos fazer? Infelizmente nada, a não ser começarmos a ter uma postura política responsável, como já foi demonstrada nas últimas eleições municipais, onde o engodo, a mentira e a falsidade, agora percebidos pelos eleitores, já alijou do panorama político os falsos, os mentirosos e enganadores do povo, excluindo-se uns poucos, como o candidato derrotado na cidade do Rio de Janeiro. Chega da divulgação falsa de prosperidade do País, de números manipulados e de falsas informações de sucesso, pois a realidade vivida e percebida cotidianamente por todos nós é bem diferente.
* Sylvia Romano é advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo.
OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS NO SETOR DE PETRÓLEO
Por Leonardo Caio
A economia mundial passa por um momento crítico, com forte pressão inflacionária e uma das causas é a escalada de preços do petróleo, pois, não há excedentes confortáveis de reservas provadas e também a capacidade de refino no mundo está no seu limite. Some-se a esses fatores o rápido crescimento econômico de grandes países emergentes, tais como a China e a Índia. Além disso, está havendo uma elevação do consumo interno dos próprios países produtores.
O fato é que a segurança de suprimento energético passou a ser prioritária para as nações, assim como a segurança alimentar. Diante deste cenário o Brasil se destaca por possuir grande potencial de energias renováveis e, principalmente, pelas grandes descobertas de reservas significativas de hidrocarbonetos na Bacia de Santos. De agora em diante, muito embora haja muito que ser feito para iniciar a produção dessas reservas, poderemos, além de garantir a nossa auto-suficiência, nos transformar em um importante produtor e exportador de petróleo e gás. Com esse panorama, o Brasil tem condições plenas de se transformar na mais recente potência petrolífera mundial.
Com tanta atividade que se vislumbra no setor de petróleo e gás, a indústria brasileira, em particular a paulista terá que se adequar para poder participar como fornecedora de produtos e serviços na cadeia produtiva de exploração, de forma competitiva e sustentável, pois os processos de exploração e produção dessas reservas demandarão de praticamente todos os setores empresariais.
Também serão construídas pelo menos 4 novas refinarias, com o propósito de garantir o suprimento interno de derivados com a qualidade exigida nos mercados desenvolvidos, que permitirá agregar mais valor nas exportações quando passarmos a ser potenciais exportadores. É importante ressaltar que somente as empresas que praticam preços competitivos, que atendam os prazos estabelecidos e que possuam qualidade aceitável e, concomitantemente atendam as exigências de saúde, de segurança e de meio ambiente, é que efetivamente poderão almejar essas grandes oportunidades de negócios.
O montante dos investimentos no setor e petróleo e gás são expressivos. Quando foi anunciado o Plano de Negócios da Petrobras para o qüinqüênio 2003-2007, os investimentos somente no Brasil, eram de US$ 5,8 bilhões/ano. O atual Plano de Negócios, válido para o qüinqüênio 2008-2012 é de US$ 19,5 bilhões/ano.
A necessidade de Mão-de-Obra qualificada será imensa. O diagnóstico da competitividade nacional para o setor de petróleo e gás aponta que as empresas, de um modo geral, necessitam urgentemente ampliar a sua capacidade produtiva, e para tanto elas têm que buscar uma aproximação com as universidades e centros de pesquisa e inovação tecnológica.
Quanto aos Biocombustíveis, apesar de algumas polêmicas sobre a disputa com o setor de alimentos, está comprovado que, no caso do Brasil, essa energia é produzida dentro dos padrões de sustentabilidade. Somos reconhecidos internacionalmente. Devemos essa conquista ao Proalcool, que teve início há mais de 3 décadas, e, após um contínuo aperfeiçoamento tecnológico, houve significativa redução do custo de produção do etanol da cana-de-açúcar.
Com a recente introdução de veículos com motores dotados com o sistema flex-fuel, o etanol passou a ter uma importância ainda maior, por ser uma alternativa econômica, além dos ganhos ambientais em virtude das baixas emissões atmosféricas. O biocombustível também possui uma vantagem adicional por contribuir com a redução de emissões de carbono, podendo assim participar do crescente mercado de créditos de carbono, previsto no Protocolo de Quioto.
Com base nessas considerações, conclui-se que o setor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis é extremamente complexo e dinâmico. O executivo que deseja atuar nesse mercado, além das habilidades de gerenciar e tomar decisões, necessita de competências adicionais. Com o intuito de facilitar o acesso dos candidatos interessados em aprimorar os seus conhecimentos nesse mercado, a Fundação Instituto de Administração (FIA) abriu as inscrições para a Terceira Turma do Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Negócios de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (NPGB). Para obter mais informações, disponibilizamos o telefone (11) 38184011 ou através do site www.fia.com.br/npgb
*Leonardo Santos Caio é Mestre em Energia pela Universidade de São Paulo (USP), Coordenador Executivo do Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Negócios de Petróleo, Gás e Biocombustíveis na Fundação Instituto de Administração (FIA), Especialista em Energia do Departamento de Infra-estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e Representante da FIESP na Comissão de Avaliação de Empresas da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP). CONTATO: leonardocaio.consult@fia.com.br
Via MaxPress
QUEM É O VILÃO?
* Marcelo Schunn Diniz Junqueira
Desde a época do Pró-álcool nunca se falou tanto sobre etanol. Na década de 1970, o combustível foi a salvação da primeira grave crise energética enfrentada pelo Brasil. Aos poucos, o petróleo retomou seu posto e o pobre combustível tupiniquim foi relegado a uma quase nobre insignificância, já que um herói, mesmo que enfraquecido, nunca deixaria de ser um herói.
Naturalmente, tratava-se apenas do primeiro round. As reservas naturais de petróleo já começam a dar sinais de cansaço, o preço do barril se eleva a cada pregão das bolsas, o que eleva ainda mais o preço na bomba para o consumidor, que é quem paga a conta. Todas essas peças já comporiam um cenário mais que perfeito para o surgimento de uma via alternativa, mas não bastou. Com mudanças bruscas na temperatura do planeta e fenômenos naturais que assolam cidades inteiras, o meio ambiente dá sinais de que algo precisa mudar, e rápido.
Como em todas as histórias de bandidos e mocinhos, por diversas vezes o mocinho é interpretado como um oportunista, que lança mão da desgraça alheia para agregar valor ao seu poder. Com o etanol não poderia ser diferente. A bola da vez foi a crise dos alimentos e declarações sem qualquer fundamentação técnica publicadas na imprensa mundial tentaram em vão fazer uma relação direta entre a produção de biocombustíveis e o aumento do preço dos alimentos.
Há inúmeros fatos que refutam completamente tais afirmações. Em primeiro lugar, há uma crescente demanda no consumo de alimentos, impulsionada por países como China e Índia, concomitante a um aumento da população mundial e a uma elevação de renda dos países emergentes. Para se ter uma idéia, nos últimos 200 anos a população mundial saltou de 957 milhões para 6,7 bilhões de pessoas. E a projeção é de que em 2050 o mundo tenha nada menos que 9 bilhões de habitantes. Com o crescimento populacional aumenta também o desafio de se produzir mais para alimentar tanta gente. Em 2001, por exemplo, a China consumia por ano 450 milhões de toneladas de cereais. No ano passado, esse número saltou para 513 milhões de toneladas.
Outro ponto que sem dúvida interfere nos custos dos alimentos é o preço do petróleo que, segundo analistas do setor, deve chegar em breve à casa dos 200 dólares o barril. A explicação é simples. O petróleo é utilizado como matéria-prima para grande parte dos combustíveis utilizados no maquinário agrícola, no transporte de alimentos e na produção de fertilizantes. Talvez nem precisassem ser citadas as diversas barreiras tarifárias impostas aos mais variados insumos alimentícios em todas as partes do mundo. Ou seja, os custos para produção de alimentos tiveram uma grande elevação.
Entre tantas provas de que o etanol não é o vilão desta história, ouvi o mais interessante argumento dito por um produtor de biodiesel em um evento do qual participei em Nova Iorque. “Na Somália, por exemplo, um dos graves problemas é a falta de arroz. Até onde sabemos, hoje não há nenhum biocombustível sendo feito a partir do arroz, nem tampouco os biocombustíveis deslocam áreas de plantio de arroz”.
Tantos argumentos só justificam o que o mundo inteiro já viu. Hoje são consumidos em torno de 1 trilhão de litros de gasolina/ano. Caso fossem adicionados ao combustível 25% de etanol, seria criado um mercado de 250 bilhões de litros de etanol/ano. Para se ter uma idéia, hoje a produção brasileira representa menos de 25 bilhões de litros/ano. Contudo, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), 25% de toda a frota de veículos no mundo poderão ser movidos a etanol até 2050.
Naturalmente, utilizar o argumento que incrimina o etanol de milho e o combustível da cana funcionaria como um belo susto àqueles que pensavam em investir maciçamente nesse setor. Mas essa argumentação durou pouco e não funcionou. Ao contrário, os investimentos externos nesse setor nunca foram tão intensos. De acordo com um estudo divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), os investimentos externos diretos nas atividades agrícolas cresceram mais que em outros setores da economia, como indústria e serviços. Nos últimos sete anos houve um aumento de 500%, de 2,3% para 13,8% do total de investimentos.
A vantagem do Brasil está latente, para quem tiver interesse em ver. O potencial do país pode conduzi-lo ao papel de um dos mais importantes players desse mercado, afinal, projeções indicam que o país deve liderar o mercado As condições são ideais em todos os sentidos. Maior fronteira agrícola do mundo, com terras férteis e vasta área para o cultivo, clima e relevo adequados, know-how que vem evoluindo desde o Brasil colonial e um forte aporte de investimentos externos.
O setor sucroalcooleiro no Brasil vem se preparando para um novo patamar de crescimento, com uma maior profissionalização na gestão das usinas, diversificação de investimentos como a co-geração de energia elétrica a partir do bagaço da cana-de-açúcar, busca constante por inovações tecnológicas no canavial, movimento de fusões e aquisições, abertura de capital, processo de Governança Corporativa, entre outras práticas que dão credibilidade ao mercado. Fica claro, assim, que não se trata apenas de uma questão de evitar a fome mundial, mas de um verdadeiro pânico e contra-ataque diante da ameaça do biocombustível brasileiro. Para quem não acreditava no Brasil, observe os heróis e guerrilheiros angustiados com o canto do Macunaíma.
* Marcelo Schunn Diniz Junqueira é engenheiro agrônomo e CEO da Clean Energy Brazil.
A IDADE E A LIBERDADE
August 7, 2008 by admin
Filed under Brasil, artigos, saúde e bem-estar
Por Cristiane Felipe
Pilar das revoluções que transformaram o mundo a partir do século XVII, a liberdade é um dos bens mais preciosos de que dispomos. O poder de ir, vir, agir e pensar é pressuposto básico para a manifestação da nossa essência. Não é por acaso que em qualquer sociedade, desde os mais remotos tempos, a forma mais usual de punição àqueles que comentem algum delito é a prisão. Mas, e quando a doença ou as perdas naturais do processo de envelhecimento nos priva da liberdade?
Nas implicações naturais decorrentes do processo de envelhecimento estão previstas perdas gradativas de muitas de nossas principais capacidades. E isso é perceptível ainda muito cedo. Uma ginasta olímpica na faixa dos vinte e poucos já não realiza com a mesma destreza e desenvoltura os movimentos que praticava na adolescência. Um jogador de futebol, ao ultrapassar os 35 anos, já se prepara para a aposentadoria. A visão de um sexagenário já não tem a mesma definição dos primeiros anos da juventude.
Consciente do que lhe é efêmero, o homem busca incansavelmente meios de prolongar a sua vida útil. Já sabemos que os progressos alcançados no campo da Medicina - em especial na área da Geriatria e Gerontologia - permitem a prevenção e a detecção precoce de inúmeras moléstias típicas da idade avançada. Novas terapias, técnicas cirúrgicas e medicamentos com maior precisão de cura também contribuem para esse avanço.
No entanto, mais do que o tratamento adequado, o que pressupõe o envelhecimento saudável é a manutenção das independências física, social e econômica. São esses os pré-requisitos que possibilitarão a preservação da liberdade do indivíduo na idade avançada. E, assim como faz o tempo, a maneira mais sábia para se adquirir ou preservar a autonomia é por meio da prática sistemática, dia após dia. Atividade física faz bem em qualquer fase da vida, alimentação adequada também. A prática da meditação e o cuidado com a espiritualidade (independentemente de religião) não possuem contra-indicações. No nível profissional, o caminho é encontrar o equilíbrio entre a satisfação pessoal e financeira. E se a esse conjunto de práticas somar-se uma pitada de alegria, está dada a receita.
Mas todos sabemos que esta receita não tem nada de simples. A vida não tem regras claras. O convívio com as perdas pode levar à depressão e ao desânimo. As novas situações geram ansiedade, perda da auto-estima e uma série de outros complicadores. Nesses momentos, a saída é não se isolar, não se esquecer de que inúmeras pessoas estão vivenciando a mesma situação. Um caminho possível é partir ao encontro delas. Um bate-papo em grupo pode resgatar a confiança perdida. Um baile no fim-de-semana pode mudar a vida de alguém. Porque a vida pode ser reinventada a cada minuto. É só dar asas à liberdade (e, de preferência, compatibilizá-la com a alegria). Como ensina Montaigne, “a verdadeira liberdade é poder tudo sobre si”. E como canta Gilberto Gil (um sessentão pra lá de jovem), “a alegria é a prova dos nove”.
* Cristiane Felipe, psicóloga com especialização em Gerontologia pela Unifesp, é coordenadora do Age - Vida Ativa na Maturidade
Artigo Via MaxPress
VELHOS PROBLEMAS E A CORAGEM SEMPRE
Por Fabio Arruda Mortara*
Os empresários brasileiros sempre demonstram imensa capacidade de superação, inclusive ante os graves problemas que continuam conspirando contra a saúde das empresas e desafiando a competência, resistência e criatividade de seus gestores. Dentre as agruras que atormentam nossos setores produtivos, as mais graves, sem dúvida, são: o desequilíbrio entre a carga tributária e o retorno que o Estado dá à sociedade em serviços; e a insegurança jurídica.
No primeiro caso, é triste constatar que pagamos impostos noruegueses e temos serviços estatais da África Subsaariana. A arrecadação tributária já chega a quase 38% do PIB e continuamos nos constrangendo por oferecer assistência médico-hospitalar de submundo aos mais de 140 milhões de brasileiros que dependem da saúde pública (e querem criar a CSS…); seguimos estupefatos ante a incapacidade de garantir às crianças e jovens de famílias de menor renda o direito inalienável ao ensino gratuito de qualidade, único caminho para a democratização das oportunidades e efetivo desenvolvimento. Ah, sim, também sofremos para exercitar o direito de ir e vir, que nos outorga a Constituição, mas nos nega a deficiente segurança pública.
No caso da insegurança jurídica, enfrentamos, por exemplo, a fragilidade política das agências reguladoras, cuja independência não tem sido suficiente para equilibrar com justiça a relação entre fornecedores e compradores. Desconfianças quanto ao caráter probo do Estado no cumprimento de acordos mantêm no papel as Parcerias Público-Privadas (PPPs), que deveriam ser a redenção do gargalo da infra-estrutura. Como se não bastasse, não há quem garanta a concorrência ética, justa e legal em vários setores de atividades.
Além do direito e do dever inerentes à cidadania, de discutir os problemas nacionais, os empresários gráficos - no tocante à questão tributária e à insegurança jurídica - têm a mais legítima prerrogativa de protestar, denunciar e reivindicar soluções. Afinal, são frontalmente atingidos pelas conseqüências desses dois males nacionais. A bitributação de alguns de seus produtos é um dos exemplos dos problemas que enfrentam no tocante a impostos; a concorrência desleal, impunemente exercida por gráficas religiosas, de partidos políticos, de sindicatos e até de governos estaduais, é outro sério obstáculo.
O mais grave é que tais problemas não são recentes. Arrastam-se por décadas, sem que as autoridades competentes mostrem-se dispostas a corrigi-los. Apesar disso, como bons empresários brasileiros, os gráficos têm avançado no fortalecimento e progresso de sua indústria, uma das que mais encamparam avanços tecnológicos no País nas duas últimas décadas.
No entanto, o sucesso garantido pela capacidade de superação e renitência das empresas não pode ser o único parâmetro do desenvolvimento de nação alguma. Assim, devemos manter firme e democrática mobilização na defesa das questões jurídicas, tributárias e mercadológicas que nos afetam, do mesmo modo que permanecemos engajados nas grandes causas nacionais. Trabalhar sempre e jamais desistir de um Brasil mais justo e ético é uma responsabilidade dos setores produtivos da qual os gráficos, como já demonstraram nos 200 anos de sua atuação no País, jamais abdicarão. Afinal, coragem é a única virtude que não pode faltar aos empreendedores.
*Fabio Arruda Mortara, M.A., MSc., empresário, é presidente da Regional São Paulo da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf).
Fonte: Ricardo Viveiros Oficina da Comunicação Via MaxPress
SEU CORPO CHEGOU AO CHÃO, SUA ALMA SUBIU AO CÉU
August 6, 2008 by admin
Filed under Brasil, artigos, saúde e bem-estar
Por Sylvia Romano
Ele era mais um menino alegre e bonito, desses que sempre vejo perto da minha casa. Ele era apenas mais um dos inúmeros garotos que, na ânsia de viver, tomam um caminho sem volta. Era simplesmente um jovem que se recusou a crescer e resolveu que iria ser sempre uma criança. O mundo o assustou e ele se refugiou no esconderijo de algumas pequenas doses que trancaram a sua razão e lhe deram a fantasia de que tudo iria ficar bem, num lugar onde ele seria o rei. Acho que foi feliz, por breves momentos, às custas da imensa tristeza da família, dos seus amigos e de todos aqueles que o amavam. Seu mundo se tornou cheio de luzes, cores, medos e tremores. As horas, os dias e o tempo não existiam mais. O vazio foi ficando cada vez maior; a solidão, o frio, e o nada eram suas companhias constantes. E tal qual Ismália, “suas asas de anjo rufaram de par em par, seu corpo desceu ao chão, sua alma subiu ao céu”.
Mas sua vida não foi em vão, pois serviu de exemplo para muitos amigos, tão próximos de embarcarem na mesma viagem na qual ele experimentou e ficou. Serviu, também, de inferno para seus pais aqui na terra, o que já lhes garantiu o céu, bem como, deu esperança e vida a um grande número de enfermos com os quais repartiu seu corpo.
Eu não o conheci, provavelmente um dia devemos ter nos visto, pois éramos do mesmo bairro e ele até poderia ter sido meu filho. Soube da sua história, sofri e rezei por sua alma. Não poderia deixar de escrever sobre este fato, que serviu de inspiração para redigir estas palavras e que, espero, façam quem as estiver lendo refletir sobre o grande problema das drogas que vem ceifando uma juventude tão promissora, acarretando tantas desgraças e infelicidades e causando grandes prejuízos à nação. Os principais culpados por essa situação são o Estado e a Justiça, uma vez que deveriam coibir e punir com mais eficiência a grande máquina dos cartéis de drogas que parecem estar se fortalecendo dia a dia, corrompendo toda uma mocidade.
Campanhas de alerta e um combate sistemático e eficiente ao tráfico há muito já deveriam ter sido implantados. Cartilhas, como se dizia antigamente, deveriam ser criadas para os jovens e seus pais ou responsáveis, incentivando o diálogo de gerações, mostrando as conseqüências de uma curiosidade mórbida, envolvente e perigosa que, com certeza trará desgraça aos seus usuários e familiares e, ao mesmo tempo, altos lucros aos facínoras e criminosos que se dedicam ao tráfico, hoje cada vez mais próximo de todos nós.
* Sylvia Romano é advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo.
Home-page : www.sylviaromano.com.br
MOMENTOS DE INDECISÃO
* Por Sylvia Romano
Tudo na vida são escolhas. A única coisa que não podemos escolher é nascer. Depois que nascemos tudo passa a ser uma decisão nossa, consciente ou inconsciente. Mesmo enquanto bebê, podemos chorar ou não, mamar ou não, rir ou não. Na primeira infância, podemos fazer “birra” ou não, e por aí afora.
Já na adolescência, podemos optar por estudar, amar, começar a fumar, ou por qualquer outra coisa e a decisão será só nossa, e sempre teremos de arcar com o resultado da escolha, seja ela certa ou errada. “Ser ou não ser”, já dizia um bardo inglês. Este é um dos grandes enigmas da vida. Qualquer escolha, por mais insignificante que pareça ser, vai influenciar o nosso futuro, nos dará uma nova vida, quando não, até nos levar à morte. Opções das mais simples, como ir ou não ir, uma roupa, um caminho diferente, um sorriso, ou seja lá o que for, imperceptivelmente poderá compromissar tudo o que está por vir. Quanto mais velhos ficamos, mesmo contando com toda a sabedoria acumulada, as decisões continuam a nos atormentar. Quanto mais vivemos, sabemos que as escolhas podem ser múltiplas e a decisão do que parece ser o melhor fica cada vez mais complicada. “Ah se os velhos pudessem e os jovens soubessem…” é pura balela, “o que sei é que nada sei” sempre aparece na hora do vamos ver. Princípios e ética são imutáveis, mas infelizmente estes valores variam de pessoa para pessoa, existindo uma medida e oportunidade de escolha para cada um, ou seja, voltamos ao “ser ou não ser”, ou melhor, ao por aqui ou por ali.
Neste momento a minha opção é falar, ou melhor, escrever. Mas sobre o quê? Já critiquei nossos governantes, autoridades, burocratas, a violência, a falta de ética, nossas leis, a burocracia, o roubo, o fumo, a política indigenista e vários outros assuntos que me incomodam e me obrigam a escrever - minha única arma usada em defesa daquilo que acredito ser correto. Meu ato de escrever e escrever sempre, sem interesse financeiro, político, ou mesmo, vaidade, é o que hoje me dá prazer, me faz sentir viva e combativa e, não, num mundo de alienados inconscientes que não pensam que se aqui estamos nesta vida é para acrescentar, contestar, modificar e colaborar.
Vamos parar de achar que o momento é para “deixa a vida me levar”. Isto é apenas uma reflexão. Sabemos que optar por isto ou aquilo é sempre um ato difícil, mas as escolhas estão aí e, quer queira ou não, até a decisão de não decidir passa a ser uma difícil escolha.
* Sylvia Romano é advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo.
Home-page : www.sylviaromano.com.br
EMPRESAS CONTRATAM POR COMPETÊNCIAS TÉCNICAS E DEMITEM PELAS COMPORTAMENTAIS
Selecionadores de pessoas se encantam com um currículo recheado de saberes.
Mas será que isso basta?
Marcia Vespa*
Junho de 2008 - Está certo afirmar que currículo vazio não pára em pé. Também é correto dizer que o mundo globalizado acabou com a arrogância de quem buscava as melhores colocações apenas com o currículo embaixo do braço, acreditando na auto-suficiência eterna.
Na era da revolução da informação, nada dá mais status que o conhecimento, no entanto este se torna prontamente obsoleto, fazendo com que o ciclo de aprendizado do ser humano seja contínuo e ininterrupto.
Mas todo esse discurso torna-se uma contradição no meio corporativo. É claramente perceptível o apego exagerado aos conhecimentos técnicos observados por um profissional num processo seletivo, em contrapartida às competências comportamentais. Apesar das facilidades ora existentes de aprimoramento constante, os selecionadores de pessoas se encantam com um currículo recheado de saberes, como se estes se bastassem.
Muitas empresas reclamam de não encontrar no mercado profissionais que dominem suas tecnologias, muitas vezes, tão específicas e únicas, e deixam de usar sua expertise para formar mão-de-obra para a perpetuação do negócio. Esse é o perfil negligenciado das organizações que aprendem.
Então o inevitável acontece: contrata-se pelo técnico, e em curto espaço de tempo, demite-se por comportamentos incompatíveis com o negócio, com a missão, com a visão e com os valores corporativos. Demitir custa caro e esse desperdício pode ser evitado.
Formar tecnicamente profissionais parece não ser uma tarefa complicada. Aliás, quando as pessoas são treinados no técnico, o retorno sobre o investimento é quase imediato. O problema, que pode ser transformado em oportunidade dependendo da mentalidade que a empresa tem diante de suas fragilidades, está na aquisição de novos comportamentos. Estes estão fortemente ligados a atitudes e aos valores pessoais, ambos não vistos a olhos nus. Pena que as mudanças ainda ocorram a duras penas de forma a impedir que a empresa alce vôo em condições de obter mais sucesso antes do declive.
Quer caminhar com mais naturalidade, com menos estresse (ou no mínimo um estresse mais saudável) e maior proatividade? Contrate por valores! Defenda os valores essenciais da sua organização selecionando e retendo os seus melhores talentos.
Tenho observado o grau de humanização descrita na missão e visão das empresas no mercado nacional. Quando analiso, mesmo que superficialmente, se o discurso é congruente com a prática, me deparo com um distanciamento enorme entre o que os dirigentes dizem acreditar e o que claramente as suas ações comunicam. Valores não são apenas palavras. Valores devem orientar o comportamento da sua equipe; valores dão sentido e canalizam esforços para que as vitórias sejam coletivas. Pessoas que se orgulham do local onde trabalham percebem uma nítida convergência entre seus valores pessoais e os valores organizacionais.
Se você ainda enxerga a existência de uma lacuna entre o obtido e o desejado, e percebe na sua equipe uma ausência de proatividade, de iniciativa, de visão para antecipar-se aos problemas, de comprometimento, está na hora de rever os valores da sua corporação, clarificando-os e transformando-os em comportamentos observáveis e claro, incorruptíveis. Destile e transmita seus valores organizacionais a começar pela sua liderança. Brade-os entusiasticamente a cada reunião, a cada encontro, no dia-a-dia. Reconheça, comemore publicamente e recompense pessoas que apresentam as atitudes que enalteçam seus valores essenciais.
Provoque conexões entre as suas estratégias empresariais e a gestão de suas pessoas. Transmita confiança garantindo que o seu discurso está em perfeita comunhão com a prática. Eduque as suas pessoas! Educar é um processo que lhe traz resultados garantidos. Treine o técnico. Eduque comportamentos! É a melhor forma de disseminar ao mercado sua marca, seu legado!
Como você quer ser visto e lembrado amanhã? Que tal começar pensar desde já? Garanto que as competências técnicas da sua empresa serão insuficientes para mantê-lo vivo.
*Marcia Vespa é psicóloga com extensão em psicodrama, pós-graduada em marketing de negócios e MBA em gestão de pessoas pela Escola de Administração de Empresas da FGV e diretora da Leme Consultoria (www.lemeconsultoria.com.br)
