O PRIVILÉGIO DOS BANCOS

November 4, 2008 by admin  
Filed under Brasil, Finanças, artigos

O PRIVILÉGIO DOS BANCOS

* Por Sylvia Romano

A Câmara dos Deputados acaba de aprovar a medida provisória que autoriza o Banco Central a socorrer instituições financeiras com operações especiais de redescontos e com garantia de empréstimos em moeda estrangeira. Por outro lado, acaba de ser divulgado o lucro de um grande banco que chega a inimaginável quantia de R$ 2,2 bilhões. Já, outro, teve o desplante de anunciar seu ganho líquido de R$ 1,9 bilhão - pasmem - em um único trimestre.

Bem, eu, como advogada, não especializada em finanças, assim como a maioria dos brasileiros, fico abismada com essas notícias. Pergunto-me, como cidadã, porque o governo se preocupa tanto com essas instituições que, como sempre afirmo, só tem o tempo para vender, pois cobra o período que o dinheiro fica à nossa disposição, achacando todos com o que chamam de juros, o que vem a ser simplesmente a mais pura agiotagem oficializada.

Pergunto, como leiga, o que o governo está preparando para aliviar o sufoco dos empresários da indústria, do comércio e do agronegócio, bem como dos prestadores de serviços, dos profissionais liberais e dos pobres dos aposentados do INSS para o enfrentamento da crise. Como ficarão os inadimplentes junto aos organismos que controlam o bom nome dos devedores, como a SERASA? O que acontecerá àqueles que necessitam comprar a prazo e que, porventura, tenham os seus nomes nas listas que controlam os bons e maus pagadores - maus só porque não estão conseguindo cumprir com os compromissos assumidos e hoje são prejudicados pelas “bolhas” de falsas prosperidade criadas pelos economistas de plantão?

Novamente o pobre do brasileiro - com exceção dos banqueiros e da Corte que se locupleta do erário, onde se incluem os funcionários públicos e a casta política reinante - cada vez mais se endivida, perde seu emprego, seus negócios, sua alta estima e, principalmente, a condição de viver com certa dignidade. Esta crise que já se avizinha envolverá todos, mas deverá passar ao largo dos bancos e do poder público, cada vez mais protegidos pelo próprio governo.

E nós, o que podemos fazer? Infelizmente nada, a não ser começarmos a ter uma postura política responsável, como já foi demonstrada nas últimas eleições municipais, onde o engodo, a mentira e a falsidade, agora percebidos pelos eleitores, já alijou do panorama político os falsos, os mentirosos e enganadores do povo, excluindo-se uns poucos, como o candidato derrotado na cidade do Rio de Janeiro. Chega da divulgação falsa de prosperidade do País, de números manipulados e de falsas informações de sucesso, pois a realidade vivida e percebida cotidianamente por todos nós é bem diferente.

* Sylvia Romano é advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo.

www.sylviaromano.com.br

O DÓLAR CAI, TI SOBE

March 28, 2008 by admin  
Filed under Tecnologia

Por Maximilian Fichtl*

O dólar entrou num processo de declínio, que nos parece quase interminável. Todos os dias os telejornais ou rádios anunciam frases sobre a queda da moeda, que de tão repetitivas, nos parecem até sonoras: “E a Bolsa de Valores fechou mais uma vez com o dólar em queda”; “ABovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) apresentou queda de 1,5%…”, “O preço do dólar mais uma vez…” etc. Os valores da moeda nunca são muito atraentes, e colocam muitas pessoas e empresas em desespero e ainda põem em risco as economias globais. Será que de alguma forma isso seria benéfico para o Brasil?

A resposta será afirmativa, quando se falar da importação de insumos para a TI (Tecnologia da Informação), notebooks, desktops, impressoras, toda à parte de infra-estrutura e também de softwares. Nunca foram vistas tantas promoções em sites ou em lojas de varejo que acabam incentivando a aquisição desses produtos. Com parcelas mínimas para pagamentos, os brasileiros podem comprar esses produtos e também diversos tipos de equipamentos eletrônicos. O brasileiro está conseguindo realizar o sonho do primeiro computador.

Sem falar no uso da Internet, segundo informações do Ibope/NetRatings, no período de um ano o Brasil ganhou 7,1 milhões de novos usuários ativos mensais. Dessa vez, o Brasil cresceu mais do que os Estados Unidos, que vieram com um crescimento de 4 milhões de pessoas conectadas à web.

O momento é positivo também para micros e pequenas empresas que desejam implantar ou implementar os sistemas de tecnologia, pois as altas cargas tributárias têm tornado os seus recursos para investimento quase sempre escassos, fato que conseqüentemente posterga o seu crescimento. Agora é tempo de começar a traçar investimentos para a renovação ou a inserção de sistemas de tecnologia, em curto prazo é claro, pois é impossível prever quanto tempo essa onda irá durar.

No entanto, mesmo que impulsionados pelo momento, cabe ao empresário o estudo e melhores condições de investir na área, para que os seus recursos não sejam dispendiosos e acabam não atendendo as expectativas em longo prazo. É necessária uma análise profunda de quais recursos, hardwares ou softwares, irão atender melhor a corporação e pensar sempre em soluções web based (baseadas na web), que podem ser renovadas a todo e qualquer momento, sem que isso demande altos investimentos a elas posteriormente. Quando o investimento não é proveitoso, irá se tornar no futuro nada mais que desperdício, o que muitos querem e desejam evitar.

Como toda a balança tem dois lados, a crise do dólar tem evidentemente o seu lado negativo apontado para os exportadores de produtos de Tecnologia da Informação, que com a valorização do real acaba não beneficiando o setor. Antes o papel do Brasil como exportador de insumos tecnológicos era pequeno, agora se políticas adequadas não forem tomadas e assimiladas em um curto espaço de tempo, ficará mais difícil ainda qualquer tipo de ação de vendas externas.

E se pensarmos também em outros setores que perdem com as variações cambiais, como o setor agropecuário, será analisado apenas os aspectos negativos, e nunca vislumbraríamos o crescimento de outros setores ou de partes da sociedade, como aqueles que desejam e podem investir em Tecnologia da Informação, para esses o momento é de comemorar.

O investidor, antes de tudo, deve alinhar as suas estratégias de crescimento empresarial e mercadológico com o que a tecnologia poderá oferecer para o seu negócio. Existem situações e momentos que podem interferir no curso de empresas, desde que esses sejam bem aproveitados. A queda do dólar pode ser aproveitada e comemorada, mas antes de executar planeje e garanta, num curto espaço de tempo, um futuro promissor para o seu negócio, pois a tecnologia é base para isso.

* Maximilian Fichtl, alemão radicado no Brasil, mestre em Ciências da Computação pela Technischen Universität München (Alemanha) e Master of Business Administration (MBA) pelo Insead (França). Atualmente é CEO (Chief Executive Officer) da New Age Software (www.newage-software.com.br)

Fonte: MaxPress