O MUNDO INVEJA NOSSAS FLORESTAS

May 30, 2008 by admin  
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* Por Luiz Cornacchioni

De acordo com estudo da Embrapa, Monitoramento por Satélite, sobre a evolução das florestas mundiais, constata-se que mais de 75% das florestas primárias já desapareceram e, com exceção de parte das Américas, fica evidente que todos os outros continentes desmataram, e muito. Dos 64 milhões de km2 de florestas existentes antes da expansão demográfica e tecnológica dos humanos, restam menos de 15,5 milhões, cerca de 24%.

Há cerca de oito mil anos, o Brasil possuía 9,8% das florestas mundiais. Hoje, o nosso País detém 28,3%. O estudo indica que, apesar do desmatamento dos últimos 30 anos, o Brasil é um dos países que mais manteve sua cobertura florestal. Dos 100% de suas florestas originais, a África mantém hoje 7,8%, a Ásia 5,6%, a América Central 9,7% e a Europa - o pior caso do mundo - apenas 0,3%. Com invejáveis 69,4% de suas florestas primitivas, o Brasil tem grande autoridade para tratar desse tema frente às críticas dos campeões do desmatamento mundial. Há que ter também responsabilidade para reavivar, por meio de políticas e práticas duradouras, a eficácia das medidas históricas de gestão e exploração que garantiram a manutenção das florestas primárias brasileiras.

Para que o Brasil mantenha esta liderança e ainda melhore este indicador, as florestas devem ser mantidas, e para isso elas são chamadas pela legislação brasileira de Unidades de Conservação, fazendo parte do sistema brasileiro de proteção ao meio ambiente e controladas pelo órgão federal IBAMA. Entre os principais objetivos buscados por esta política estão

a contribuição para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos no território nacional e nas águas jurisdicionais;
a proteção das espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional;
a promoção do desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais;
a recuperação ou restauro de ecossistemas degradados;
a valorização, econômica e social, da diversidade biológica.
Embasado na maioria desses objetivos há o “Projeto Corredores da Mata Atlântica” que tem como princípio recuperar e religar os fragmentos de floresta a fim de evitar a perda de riquezas naturais insubstituíveis. A melhor descrição para este projeto seria uma “colcha de retalhos de áreas ambientalmente sustentáveis que integra parques, reservas públicas ou privadas, terras indígenas, áreas de cultivo e pastagem, centros urbanos e atividades industriais”.

Outro programa a ser destacado é o “Programa de Restauração de Matas Naturais”, que envolve os biomas Mata Atlântica e Cerrado, e tem como objetivos restaurar o ecossistema original, promover o fluxo gênico, promover harmonia do mosaico eucalipto e áreas naturais além de estabelecer corredores ecológicos.

Tendo esses objetivos atingidos esses programas comemoram seu sucesso. Porém outro benefício não menos importante é conquistado com o enriquecimento desses biomas. Trata-se da remoção do gás carbônico da atmosfera terrestre, através do processo da fotossíntese das espécies vegetais, evitando assim a degradação da camada de ozônio e conseqüentemente o aquecimento global.

Sendo assim, as empresas deveriam se comprometer não só a reduzir a emissão de gases poluentes como também a preservar áreas florestais degradadas como uma forma de “compensar” a poluição lançada na atmosfera. Neste sentido, há um grupo de empresas de diversos continentes (The Forest Dialogue) que tem por objetivo construir uma visão comum entre o setor produtivo e os ambientalistas, para a promoção de ações efetivas em prol da conservação da biodiversidade associadas às operações de produção florestal.

Portanto, discutir florestas e desmatamento aqui no Brasil é tema da maior importância, uma vez que gera reflexos para todos os negócios e para todas as pessoas, pode gerar expressiva contribuição em termos financeiros em total sintonia com os mais rígidos princípios de sustentabilidade, e tem a capacidade de contribuir para uma melhora da qualidade do ar que respiramos. O Brasil deve reaformar sua posição diferenciada e única no mundo pela quantidade e pela diversidade de sua mata nativa e não deve permitir que desmatamentos inconseqüentes e vinculados com uma visão de curto prazo sigam ocorrendo.

* Engenheiro Florestal, especialista em manejo, Gerente de Relações Institucionais da Suzano Papel e Celulose

Fonte: GWA Comunicação Via MaxPress