Cérebro tem “sexto sentido” para calorias

March 29, 2008 by admin  
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O paladar desempenha um papel importante na busca dos animais por nutrientes, estimulando-os a procurar os alimentos mais calóricos. Mas, mesmo na ausência de qualquer estímulo gustativo, o cérebro é capaz de escolher o alimento com mais calorias, de acordo com um estudo feito por pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos.

Utilizando camundongos geneticamente modificados para perder a capacidade de sentir sabores doces, os cientistas demonstraram que os animais dão preferência ao alimento mais calórico, contrariando uma das explicações mais recorrentes para o consumo exagerado de calorias.

Segundo os autores, o trabalho pode ter importantes implicações para a compreensão de causas da obesidade. Os resultados foram publicados na edição desta quinta-feira (27/3) da revista Neuron, com Ivan de Araújo como primeiro autor. O trabalho contou com a participação de outros brasileiros, entre os quais Miguel Nicolelis, professor titular do Departamento de Neurobiologia da Universidade Duke.

“O estudo sugere que pode ser ineficaz tentar diminuir o consumo de calorias por meio da substituição do alimento por uma versão menos calórica, mas com gosto parecido. Graças aos mecanismos cerebrais que regulam o comportamento ingestivo, a pessoa pode acabar, a longo prazo, preferindo a versão mais calórica”, disse Araújo à Agência FAPESP.

De acordo com o cientista, que desde junho de 2007 está no Instituto John B. Pierce, ligado à Universidade Yale, o sistema gustativo provavelmente não existe para dar prazer, mas para ajudar o animal a detectar rapidamente a presença de alimentos calóricos na natureza. Por isso a versão “light” dos alimentos acaba não sendo capaz de ludibriar o cérebro por muito tempo.

“A recompensa não é o sabor, e sim a caloria. Não surpreende que esses mecanismos cerebrais, de alguma forma, priorizem o aspecto nutritivo e, desse modo, não sustentem o consumo de compostos menos calóricos a longo prazo”, destacou.

Segundo ele, alguns trabalhos comportamentais já sugeriam que os animais mostravam atração por certos sabores, mas essa atração se potencializava quando os sabores eram combinados com altos teores de calorias.

“Uma das perguntas era se esse mecanismo, independentemente da palatabilidade, influenciaria o animal a consumir o alimento mais calórico. A outra era se os estímulos de recompensa, que respondem fortemente a tudo o que é palatável, responderiam também ao valor nutritivo mesmo na ausência da gustação. Ambas tiveram respostas positivas”, disse Araújo.

Preferência pelo açúcar

Para responder como o cérebro e o comportamento respondem à situação de insumo de calorias sem estímulo gustativo, os cientistas recorreram a camundongos transgênicos incapacitados de detectar sabores doces.

“Esses camundongos eram desprovidos do gene que expressa a proteína codificante de um canal iônico presente nas células gustativas da língua. A presença desses canais iônicos é fundamental para a capacidade de os receptores gustativos transmitirem informação sobre os sabores doces para o cérebro”, explicou Ivan de Araújo.

Os camundongos puderam escolher entre beber água ou uma solução de água com sacarose. Enquanto os animais normais apresentavam preferência pela água com sacarose, os geneticamente modificados se mostraram indiferentes.

Em seguida, os pesquisadores associaram um dos lados de uma caixa comportamental à presença ou ausência da solução de sacarose. Em um dia a solução era colocada no lado direito e o esquerdo permanecia vazio. No outro dia, água pura era colocada no lado esquerdo e o direito permanecia vazio. E assim por diante.

“Ao longo do tempo, os animais desenvolveram forte preferência pelo lado da caixa que fora associado à sacarose. Apesar de não detectarem o doce, eles lentamente começaram a mudar seu padrão de preferência em favor do lado que tinha a solução doce”, disse.

Segundo o cientista, que graduou-se pela Universidade de Brasília e completou os estudos nas universidades de Edimburgo e Oxford, isso mostra, em nível comportamental, que o animal desenvolve preferência clara pela caloria mesmo na ausência de qualquer prazer específico ligado ao paladar.

“Depois fizemos o mesmo experimento substituindo a água com sacarose por uma solução de água com sucarose – um adoçante artificial utilizado no mercado. O animal normal gostava muito desse adoçante, mas os animais mutantes não mostravam preferência nenhuma quando não havia conteúdo calórico”, disse.

Alterações hormonais

Após os experimentos comportamentais, os cientistas analisaram os padrões cerebrais dos camundongos, começando por uma microdiálise: obtendo pequenas amostras de fluido cerebral dos animais, mediram o conteúdo do neurotransmissor conhecido como dopamina.

“A dopamina é liberada por algumas áreas específicas do cérebro quando os animais e pessoas têm contato com estímulos sensoriais altamente atrativos – que vão desde alimentos palatáveis até imagens sexuais ou drogas. Queríamos saber se o sistema de recompensa permanecia ativo quando havia calorias, mesmo sem o componente sensorial”, explicou Araújo.

Os animais geneticamente modificados, segundo ele, mostraram alto nível de emissão dopaminérgica quando consumiam a água com sacarose. Quando se tratava da água com adoçante, no entanto, os níveis de emissão não eram detectáveis. Nos animais normais, os níveis de dopamina aumentavam em ambos os casos.

“Depois disso fizemos ainda um experimento eletrofisiológico, mostrando que nas áreas em que existia liberação de dopamina os neurônios ficavam mais ativos durante o consumo calórico”, contou.

Segundo o cientista, o “sexto sentido” dos animais para alimentos calóricos ainda não pode ser explicado, mas há algumas possibilidades plausíveis. Uma delas é que os hormônios dopaminérgicos presentes no cérebro seriam capazes de detectar receptores para insulina.
“O consumo de alimentos calóricos provoca mudanças hormonais no nível de glicose sangüínea, aumentando a insulina e alterando uma série de outros hormônios. As células cerebrais expressam receptores para muitos desses hormônios, em particular para os dopaminérgicos”, apontou.

Outra possibilidade é que o cérebro detecte mudanças nos níveis sangüíneos de glicose por meio de determinados hormônios glucossensores. “Fisiologicamente e neuroanatomicamente existem caminhos para que isso ocorra. Ninguém demonstrou ainda que esses receptores nas áreas dopaminérgicas têm uma função, mas a maquinaria necessária para que isso aconteça existe de fato”, afirmou Araújo.

Fonte: Agência Fapesp

Segredos de Barack Obama - A Origem dos Meus Sonhos

March 25, 2008 by admin  
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EDITORA GENTE PUBLICA SEGREDOS DE BARACK OBAMA NO LIVRO “A ORIGEM DOS MEUS SONHOS”

Editora Gente lança a autobiografia do pré-candidato democrata à Casa Branca.

Ele conheceu o pai apenas aos 10 anos. Na juventude usou drogas e fez do álcool um grande aliado. Estabeleceu novos paradigmas no meio acadêmico. Em 2006, recebeu seu primeiro Grammy, o principal prêmio da indústria fonográfica, pelo melhor álbum falado. Esta poderia ser a biografia de um popstar, mas trata-se da história daquele que pode ser o primeiro negro a assumir a presidência da nação mais potente do mundo: Barack Hussein Obama Jr.

A Editora Gente inova e traz para as livrarias de todo o Brasil, “A origem dos meus sonhos”, livro que conta a trajetória pessoal do pré-candidato do partido democrata à presidência dos Estados Unidos. Obama relata que a construção de sua personalidade teve pinceladas de observação e convivências com diversas pessoas que de uma forma ou de outra ajudaram a escrever um pouco de sua história.

O senador pelo Estado de Illinois apresenta numa narrativa não-linear o relato de seus primeiros 33 anos de vida. O livro começa com um telefonema informando a morte do pai em um acidente de carro no Quênia. “Naquele momento, o meu pai ainda permanecia um mito para mim”, escreve Obama. Ele só conhecia as histórias que a mãe e os avós lhe contaram ao longo da infância e da adolescência. E quem era Barack pai? O autor o descreve apenas como um queniano da tribo Luo, nascido nas margens do Lago Vitória numa comunidade chamada Alego. A aldeia era pobre, mas seu avô foi um agricultor importante, um ancião da tribo.

A partir daí, Barack Obama começa a relatar a sua saga. Ele conta toda a trajetória do pai até se graduar em Econometria no Havai, conhecer sua mãe num curso de russo, casar-se e depois abandoná-la quando ele tinha apenas dois anos.

O enredo segue para o momento em que o autor viveu na Indonésia depois que sua mãe, a antropóloga branca americana Ann Dunham, já divorciada de seu pai, casa-se com o indonésio Lolo Soetoro, que assume a criação de Obama. No país distante e muito apegado ao padastro, tem contato com as minorias, o boxe e a cultura local. Com o passar do tempo, Ann se deu conta que o filho começava a esquecer os hábitos americanos e retomou as rédeas de sua educação. O envolveu no compromisso de acordar às quatro horas da manhã para reaprender o inglês e contava-lhe a vida de negros famosos que fizeram história no mundo.

Ainda na infância, sua mãe sentiu a necessidade de que ele deveria retornar aos EUA, mais especificamente para o Havaí. Obama foi viver com os avós, que o matricularam na mais representativa escola do Estado. Por ser um dos poucos estudantes negros da instituição de ensino, Obama teve ali o seu primeiro contato com o racismo.

No liceu tinha amigos brancos e negros, e convivia com as duas etnias. Integrava-se em ambas as realidades, mas angustiava-se por não pertencer verdadeiramente a nenhuma delas. No livro, Barack conta que tentou misturá-las, mas não conseguiu. Em suas memórias se sucedem recordações de momentos que foram cimentando sua identidade afro-americana. Obama também descreve festas que participou na sua adolescência onde teve as primeiras experiências com drogas e álcool.

Após esse período, o livro “A Origem dos meus Sonhos” remete à vida acadêmica e profissional do autor, que, além de glórias, também trouxe diversos obstáculos. Em 1979, muda-se para Los Angeles e, dois anos mais tarde, para Nova Iorque, onde se forma em Ciências Políticas pela Universidade de Columbia. Durante sua temporada nova-iorquina vivenciou diversas situações de tensão inter-racial.

Depois de trabalhar numa multinacional, recebeu oferta de emprego em Chicago, no Estado de Illinois. Lá, Barack Obama iniciou sua carreira como líder de algumas das comunidades mais pobres da cidade. Foi um período de três anos muito frustrante, cansativo, mal pago e por poucas vezes edificante. Esse relato trata do desespero vivido nos bairros degradados das grandes cidades americanas, das políticas inadequadas e da auto destruição dos negros.

Em meados dos anos 80, Obama se viu tomado por um desejo incomensurável de viajar ao Quênia para conhecer as suas raízes e compreender a razão de sua existência. Mesmo com muito receio, chega à África e descobre uma família, um povo que sente ser o seu, com a sensação da presença do pai sempre ao seu lado pedindo sua compreensão daquela realidade. Em Alego, a aldeia onde tudo começou e ajoelhado junto das sepulturas do pai e do avô, Obama diz ter chorado cumprindo um luto adiado e, finalmente, ter compreendido suas origens africanas.

O vazio tinha desaparecido e ele estava pronto para regressar aos EUA. À sua espera estavam a Faculdade de Direito de Harvard, a advocacia, a futura esposa e, posteriormente, o Senado. E agora, quem sabe, a Casa Branca.

“A Origem dos meus Sonhos”, de Barack Obama, lançamento da Editora Gente, estará disponível nas livrarias de todo o Brasil na primeira semana de abril. O livro, de 456 páginas, tem preço sugerido de R$ 49,90.

Serviço:
barack-obama2.jpg A origem dos meus sonhos
Autora: Barack Obama
Editora Gente
ISBN 978-85-7312-594-8
Formato: 16 x 23
Páginas: 452
Preço: R$ 49,90
Ano e número da edição: 2008 / 1ª edição

Imprensa diminui apoio ao candidato Barack Obama

February 25, 2008 by admin  
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Imprensa norte-americana parece diminuir apoio ao candidato Barack Obama

À medida que o pré-candidato democrata à presidência dos Estados unidos, Barack Obama, cresce na disputa, os meios de comunicação norte-americanos parecem ter encontrado o espírito crítico. Isso porque inicialmente, a imprensa dos EUA noticiava Obama com todo o cuidado, na maior parte das vezes, tratanto-o quase sempre muito bem.

“Obama representa a novidade do ano e os jornalistas amam o que é novo”, afirma Darrell West, especialista da Universidade Brown em Rhode Island. “Porém, quanto mais aumentar sua condição de favorito, mais os meios de comunicação examinarão de perto suas declarações e seus antecedentes”, acrescenta.

O entusiasmo por Barack Obama, que atrai cada vez multidões mais numerosas a seus comícios, criou o fenômeno batizado de “Obamania”. Porém, o mesmo parece ter alcançado o limite.

A revista on-line Slate criou uma seção irônica, chamada de “The Obama Messiah Watch” (O Observatório do Messias Obama), que contabiliza os artigos mais aduladores em favor do senador por Illinois publicados pela imprensa americana.

A mesma revista menciona a “obamização” da língua inglesa, enumerando os inúmeros neologismos, como “Obamania”, surgidos na imprensa e na internet, e que favorecem o pré-candidato.

No entanto, na última quarta-feira (20), o colunista do Washington Post, Robert Samuelson, publicou um artigo com o título “A ilusão Obama”. “Como jornalista, tenho sérias dúvidas a respeito de todos os candidatos. Porém, Hillary Clinton e John McCain (…) estão na arena pública há anos. Suas idéias, valores e temperamentos têm sido escrutados de todos os ângulos. Já o estreante Obama é essencialmente uma presença cênica, sobretudo definida por sua poderosa retórica. O problema, ao menos para mim, é esta enorme e decepcionante brecha entre sua arte oratória cativante e suas verdadeiras idéias”, escreveu Samuelson.

Já no New York Times, o analista David Brooks citou a “magia que se desvanece” e, com ironia, batizou Obama como “Sua Esperança”. Há apenas algumas semanas, depois da assembléia eleitoral de Iowa vencido por Obama, o mesmo Brooks questionou quem ousaria se colocar no meio do caminho do “fenômeno”.

A imprensa americana naturalmente reproduziu as críticas do lado de Hillary Clinton, que recentemente acusou Obama de plagiar em seus discursos o governador de Massachusetts, seu amigo Deval Patrick.

Os meios de comunicação americanos, temerosos por manter sua independência, não podem levantar suspeitas de que favorecem algum candidato.

Fonte: Portal da Imprensa